domingo, 24 de outubro de 2010

À Sombra da Solidariedade

A sociedade, dos nossos dias, é individualista, ambiciosa, gananciosa. Assim sendo, só pensa no dinheiro como sinónimo de bem-estar e qualidade de vida. Olha apenas para o seu espelho e esquece o que a rodeia-a.
Quantos de nós são realmente solidários? Lembramo-nos da solidariedade como nos lembramos que temos frio porque saímos à rua sem casaco, ou seja, só nós lembramos que há pessoas desfavorecidas quando somos confrontados com um exemplo dessa vasta realidade. Depois, genericamente, agimos de dois modos diferentes, doamos porque nos “fica bem” ou não doamos argumentando de variadas formas: “não tenho tempo, ando muito ocupado (a)”; “…e a mim, alguém me ajuda!?”; “a vida é difícil para todos…”. Logo, a solidariedade é um acto adiado!
A prática da solidariedade não passa só pelas doações monetárias, consiste também em simples acções: ouvir os outros sem os julgar; saber perdoar; dar apoio. É, no fundo, dar sem esperar nada em troca.
Portanto, Ser Solidário é sermos nós próprios, respeitando o que nos rodeia e contribuindo com um pouco de cada um de nós na construção de um mundo melhor.
Marlene Silva; 12º C

Aprender de novo!

Se antes escrevia os dias da semana e os meses do ano com letra maiúscula; agora, vou ter que escrever com minúscula. A partir de agora também vou ter que deixar de escrever as consoantes que não se pronunciam, como na palavra “ótimo”, por exemplo. E não usar mais acentos graves em palavras homógrafas: “para” em vez de “pára”. Por fim, palavras como “mini-saia”, “semi-recta” e “contra-relógio” passam a escrever-se sem o hífen. Há onze anos atrás, aprendi a escrever, e agora, onze anos depois vou ter que aprender novamente. Ora a minha vida! Que deceção!

Patrícia Marques; 12º C

Ser eu...

Muitas vezes perguntamo-nos quem somos nós, afinal. Quem sou eu para além daquilo que mostro perante os outros e a sociedade, quando estou sozinha, apenas comigo própria e com os meus pensamentos? Nesses momentos sou apenas eu, nada mais.
Sou eu própria, como um bebé sem nada a esconder, nem nada a provar.
Não é que eu seja uma pessoa completamente diferente quando em convivência com os outros, mas não sou totalmente eu. Sou igual por fora, uma rapariga comum, com sonhos, objectivos e medos, como toda a gente. Nestas circunstâncias, é como se não me mostrasse por completo, como que se usasse uma máscara para me proteger, talvez.
Gosto daqueles bocadinhos só meus, onde posso estar com o meu verdadeiro eu. Desses instantes em que posso reflectir sobre quem sou, sobre as coisas boas e as coisas más, rir, chorar e gritar, sonhar o meu futuro… onde irei, o que farei e com quem estarei? Quando posso fazer apenas o que eu quero, sem ninguém lá estar para me julgar. Esses bocadinhos só meus, apesar de pequenos momentos, confortam-me por dentro. E às vezes, só me apetece ficar assim, “a ser eu”, interna e eternamente!
Quem sou eu? Na realidade, ninguém sabe, nem nunca saberá responder a tal questão. Somos apenas uma junção de qualidades, defeitos, sonhos, medos e objectivos. Cada um com o seu feitio, a sua personalidade e os seus sonhos. “Não sei quantas almas tenho”, e acho que nem eu nem ninguém algum dia vai saber.
É, pois, um enigma o meu ser!

Patrícia Marque; 12º C

A Pobreza

A pobreza no mundo sempre foi um tema bastante debatido. Vivemos em pleno século XXI e não sei como é que é possível que ainda existam pessoas que conseguem sobreviver/viver com menos de um euro por dia. Cada vez existem mais pobres… Em contrapartida, aqueles que já eram ricos, mais ricos ficam. Por isso, as classes médias tendem a chegar ao fim. Assim sendo, a pobreza será maior, mais tenebrosa e sofrida!
No entanto, a pobreza financeira não é o mais importante, mas sim a pobreza de espírito. Muitas das vezes, não podemos melhorar financeiramente, mas com força de vontade e um pouco de vontade, tenacidade e energia conseguimos chegar longe.
Para afastar a pobreza, então, precisamos de pão e de respeito, vontade e bom carácter.

Patrícia Pereira; 12ºC

E eu... quem sou?

Quem sou eu? Esta deve ter sido a pergunta que mais vezes me fez questionar a minha adolescência. Eu não sei quem sou, nunca ninguém me explicou quem eu era, mas muitas pessoas me ensinaram quem poderia vir a ser.
Ao longo da vida, fui-me formando como pessoa, fui crescendo, não apenas fisicamente mas, sobretudo, psicologicamente. Os meus pais, os meus amigos mais próximos, foram quem construiu a minha infância. Acredito que grande parte do que sou hoje é graças àquilo que foi a minha infância! No entanto, não sei definir-me por palavras, não sei dizer, concretamente, quem sou. Todavia, tenho consciência que hoje, com 17 anos, não sou a mesma pessoa que era quando tinha 10 anos, ou até mesmo 15 anos. Com o decorrer do tempo, fui mudando. Passei por muitas situações que me fizeram olhar para a vida de outro modo, conheci muitas pessoas que me ensinaram a lutar por aquilo que realmente quero, mas também me ensinaram que tenho de saber desistir no momento certo, quando é realmente preciso. Da mesma maneira que é preciso lutar quando é a hora!
Não gosto quando me pedem para me caracterizar a mim própria. Não sei dizer quem sou, apenas aqueles que me conhecem bem, sabem dizer o que sou. Eles são quem melhor me conhecem, alguns deles chego a pensar que me conhecem melhor do que eu me conheço a mim própria, o que chega a tornar-se rídiculo. No entanto, não ponho essa hipótese de parte. Será que os meus amigos mais próximos me conhecem melhor do que eu penso ser? É uma questão intrigante, mas deveras curiosa. Uma questão em aberto. Tal como eu. Quem sou eu?

Patrícia Pereira; 12º C

Saudades

Temos saudades? Mas o que é a saudade?
O que será o sentimento saudade? Sentir a falta de algo ou de alguém? A necessidade de fazer alguma coisa ou de estar com alguém? Será isso? Eis tantas questões e nenhuma resposta.
Por vezes, dou comigo a pensar no que é a saudade… Porque dizemos tanto “tenho saudades”? Mas o que é isso, de ter saudades? Será aquela sensação de frio, de arrepio ou aquela sensação de aperto no coração ou até ainda aquele bichinho na barriga?! Pode ser tudo isso, mas… fico sempre na incerteza.
Assim, a meu ver, SAUDADE é uma palavra difícil que muitos conseguem perceber, mas que poucos conseguem descrever! Também, saudade é para se sentir! Por isso, vou deixar-me de querer saber da saudade em termos concretos e apenas deixar que ela me amarrote a alma e molhe o meu olhar.


Ana Silva; 12º C

Solidariedade

Sempre quis fazer voluntariado. Desde pequena que tenho esta vontade. Quer dizer, não me importava minimamente de abdicar de uma noite de Natal para ajudar a distribuir comida às pessoas que nada têm.
Suponho que nos sentimos melhor com isso, ou seja, quando ajudamos alguém, sentimo-nos melhor connosco mesmos. Deste modo, temos a sensação de que estamos a fazer algo de bom para alguém que não nós. Então, esse sentimento aparece porque estamos a dar uma ajuda que é realmente preciosa para alguém. Indivíduos que podem ser pobres em termos de posses, são, quase sempre, extraordinariamente ricos no que toca ao espírito.
Concluo ser uma tarefa difícil de realizar porque nem sempre somos bem recebidos quando colaboramos mas, como o tempo, a confiança começa a aparecer e tudo fica melhor. Assim, fico à espera desse tempo de solidariedade mais concreta, mais plena!

Ana Laura Miranda; 12º C

Sente-o o meu coração!

Quem sou eu?
Não o sei ao certo… É daquele tipo de questões sobre as quais posso pensar e reflectir horas a fio, e mesmo assim não obter uma resposta concreta. É como se olhasse em volta, mas um denso nevoeiro não me deixasse ver nada num raio de dois metros. É como se, de cada vez que seguisse por um estreito corredor, uma porta trancada me impedisse de seguir caminho. É como se não encontrasse a nota certa para completar a melodia perfeita.
Mas o que não sabe a minha mente, sente-o o meu coração… a minha essência.
Sou alguém que vagueia pelo mundo, sem destino certo, sabendo perfeitamente para onde se encaminha. Sou uma recordação perdida no tempo, uma fortaleza de cristal, uma bolha de sabão levada para longe.
Sou a luz crepuscular que cai sobre a floresta, sou o gélido vento do Norte, o fogo que incendeia o céu numa explosão de cor.
Sou metamorfose, incerteza e força. Um sorriso, uma gargalhada, um suspiro…
Sou lágrimas de alegria, lágrimas de dor, amizade, amor e esperança, sou ira, desconcerto e paz.
Sou um copo meio cheio. Sou matéria. Sou Sonho. Sou a noite.
Quem sou eu? Sou tudo aquilo que quiser ser.

Margarida Andrade; 11ºD

Sou apenas "EU"!


Quem sou eu?
Ora, eu... sou alguém que gosta de sonhar, sentir, aprender, ajudar, VIVER. Mas também gosto de mudar. Hoje gosto de Rock, ontem gostava de Rosa-Choque, e amanhã, quem sabe não gostarei de Sushi.
Parece estranho? Pois é mesmo assim que eu sou, uma estranha, mas de uma maneira só minha. Por vezes, estou eufórica e, outras vezes, estou moribunda. Uns dias, gosto de toda a gente e outros dias não me apetece ver ninguém à frente. Defendo toda a gente e nunca tomo partidos. Mas na verdade, quem sou eu? Nao faço a mínima ideia.
Tenho em mim tantos “Eus” que, por vezes, não me consigo encontrar. Vasculho-me e apenas encontro peçinhas, distintas umas das outras. Peças que formam vários puzzles que nem ligações têm entre si.
Admito que por vezes cansa. Cansa ser quem sou. Alguém que não sabe quem é, mas que se conhece. Sou selvagem amansada por dentro, sou gatinho bravo por fora.
Sei que sou todos os meus amigos. Sou a desilusão e o sonho em pessoa. Amo toda a gente e sou mal interpretada por isso. Mas o que posso eu fazer, se sou o amor em carne e osso?
Bem, a verdade é que eu sou apenas EU. Sou diferente e igual a ti.

Patrícia Chainho; 12ºD

Ah, o Verão!

O Inverno deixa-me triste. Este tempo, faz-me sentir melancolia, nostalgia e muita monotonia.
Faz-me ter saudades da parte do ano que mais gosto, esta é, claro, o Verão!
Tenho quase a certeza de que todas as pessoas adoram o Verão, posso perguntar a todas elas se é realmente verdade o que digo e irei obter respostas como ‘sim adoro!’. Tal como eu previa.
Esta estação do ano alegra-me, desperta-me e faz-me sonhar! Então, sinto-me livre e realizada! Adoro correr para a praia com os chinelos na mão e a toalha debaixo do braço. Nestes instantes, gosto de sentir o cheiro do mar e o barulho das suas ondas. Delicia-me ficar, ali, à beira-mar, deitada ou sentada, de dia ou de noite, tanto me faz!
Sem dúvida, que me sinto uma melhor pessoa no tempo de muito calor, de muita praia e de muita festa!
Deste modo, sou mais feliz!
Beatriz Lourenço; 12º C

MEDO

Ela era uma rapariga como tantas outras da sua idade. Apesar de haver uma coisa que a distinguia. O medo! Pois, ela tinha medo de falhar, de desiludir os outros, de magoar alguém. Sempre o medo se apoderara dela e lhe roubara alguma da sua capacidade de sonhar. Por vezes, alguma felicidade.
Deste modo, a rapariga não queria ficar a sós com ele, tinha medo que ele a dominasse, que a consumisse totalmente. Na verdade, ele era o seu maior inimigo! Absurdamente, o medo!


Patrícia Santos; 12º C

Mudei...

Quem sou eu? Uma pergunta que passa pela minha cabeça vezes sem conta a cada dia que passa e à qual não tenho resposta. Até posso nunca vir a ter.
Questiono as minhas atitudes, os meus pensamentos. Questiono o que faço neste mundo e como seria se estivesse noutro. São estas questões que me assaltam o pensamento e me fazem pensar “Quem sou eu?”.
Tal como Fernando Pessoa afirma no seu poema “Cada momento mudei”, também eu tenho a consciência de que mudei e já não sou o que era. Antes, tinha a inocência da infância e pensava, para mim mesma, “tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Agora, já com outra idade, já não tenho a tal inocência e a inconsciência que tinha antes e tenho a perfeita a noção de que todos os sonhos do mundo não estão em mim, mas também nos outros. Assim, tenho muitos sonhos e fantasias.
Sei quem não quero ser. Sei a qual nunca quero chegar. Mas não sei... Eu? Quem sou eu?


Patrícia Santos;12ºC

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu sou EU!!!

Eu sou… eu, igual a tanta gente e diferente de outros tantos.Por vezes, sou como a Primavera: calma, alegre, sem grandes dias de chuva… Outras vezes, sou como o Inverno: escura, apagada, com dias de frio e muita chuva…
Afinal quem sou eu? Sou o reflexo do amor maternal, incondicional e sem fim. Sou filha do vento e sigo alegremente arrastada pelo carinho. Sou um regato que corre entre as montanhas à procura de um rio onde possa estar, ficar ou simplesmente continuar o seu percurso…
Sou fúria quando me magoam… Sou sorriso quando me abraçam… Eu sou eu! Uma adolescente igual a tantas outras, cheia de sonhos, desilusões, ilusões, na procura incessante de sonhos, realidades e verdades… À procura de mim mesma, na ânsia de concretizar aquilo que quero.
Sou sonhadora, procuro o impossível e sei que, assim, vou conseguir o possível. Não tenho limites para aquilo que sonho. Tento que tudo se concretize mesmo que tenha que lutar por isso. Sou a imagem do que não sou… Sou contradição do meu próprio eu… não tão frágil, nem tão forte… Sou uma resistente a algumas partidas que a vida me tem pregado… Sou, sem sombra de dúvidas, a maneira de ser da minha mãe e o rosto do meu pai… Sou o fruto do impossível porque… eu, Sou Eu !

Maria Granado; 12º D

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Eu? Eu?

Quem sou eu… é uma boa pergunta. É uma pergunta que todos nós tememos responder quando esse “eu” se trata do “eu” interior. Ninguém se conhece totalmente, nem se conhece assim tão bem a ponto de responder clara e objectivamente. Uma resposta destas merece tempo de reflexão e mesmo assim é impossível responder a cem por cento.
Todos podemos dizer o que somos no exterior, pois qualquer um o pode ver; o complicado é responder relativamente a quem somos interiormente.
A minha resposta é simples e contraditória: sei e não sei quem sou. Sei que sou mediana de altura e largura, que tenho cabelo castanho, olhos castanhos e pele clara. Sei porque eu posso ver, posso olhar-me ao espelho e ver que esse é o meu “eu” físico, o meu “eu” exterior, aquele que todos podem ver.
Mas e interiormente? Quem sou eu por dentro? Não sei. Sei que tenho qualidades e defeitos, como qualquer ser humano, mas quais são? Como sei que essas qualidades e esses defeitos são verdadeiros? Que fazem mesmo parte de mim, que não foram criados, inventados ou fingidos? As respostas a essas perguntas já são mais de difícil resposta.
Na verdade, todos nós usamos máscaras, nem que seja apenas num certo e determinado momento, com esta ou aquela pessoa, mas será que o fazemos propositadamente? Será que o fazemos para nos protegermos, para não nos expormos? Não sei. Podia inventar respostas, podia dizer que acho que sou assim e assado e que tenho este e aquele defeito, mas não, não o vou fazer porque, na verdade, não sei quem sou. Tal como Fernando Pessoa, também eu não “sei quantas almas tenho”. Como eu o compreendo!

Mariana Carvalho; 12º D

Procuro-me

Quem sou eu? Podia dizer que sou uma mulher rica, uma sem-abrigo com todos os sonhos do Mundo dentro da minha alma. Até poderia ser um homem de negócios bem sucedido… Mas não é o que sou.
Já me desviei da pergunta. Dei possíveis respostas à pergunta ‘O que sou eu?’ e não a ‘Quem sou eu?’, mas sou da opinião de que não podemos responder a uma sem mencionar a outra.
Certamente existem pequenas e certas coisas de que tenho a certeza, sobre mim. Não são muitas, mas sempre é qualquer coisa. Sei que sou uma rapariga em crescimento. Já não sou uma menina, mas ainda não sou uma mulher. Sou sonhadora. Sou empenhada. Sou responsável. Sou alegre. Sou tudo isso e muito mais. Sou tudo o que eu quiser ser.
Tal como Fernando Pessoa proferiu, “Eu sou do tamanho daquilo que vejo e não do da minha altura” (Alberto Caeiro). Sou também do tamanho dos meus sonhos e das minhas vontades.
Já fui uma menina envergonhada que se escondia quando alguém lhe dirigia a palavra. Já fui alguém que ansiava pelos treinos de patinagem. E, sobretudo, já fui a pessoa que mais admirava o seu pai.
Esses dias passaram. Passaram e já vão longe, assim como essa menina está longe da rapariga que sou hoje.
Sei quem fui, não sei quem sou e muito menos saberei quem vou ser amanhã. A cada dia que passa modifico-me à procura da melhor versão que poderei vir a ser de mim mesma.

Ana Laura Miranda – 12ºC

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu sou a dança que há em mim!

Não sei... Acho que ninguém sabe quem realmente é.
Por mais que pense e volte a pensar, acho que, cada dia que passa, sou outro eu. Talvez seja sempre a mesma pessoa, mas cada minuto de vida altera a pessoa que está em mim, altera a minha maneira de ser e faz-me pensar de outra forma e, ao mesmo tempo, ser quem não sou.
Todas as pessoas encarnam várias “personagens” no seu dia-a-dia, e isto faz parte da vida! Fingir, mentir, enganar, por mais difícil que seja, não há ninguém que não o faça.
Eu encarno uma personagem diariamente... Eu danço. Represento cada gesto e movimento, sorrio sem parar, e dentro de uma pista, rodeada de luzes e músicas, dou tudo por tudo para vencer e mostrar o quanto me esforço e até onde consigo chegar, e para que? É assim que venço? É por tentar ser outra pessoa, arranjada ao mínimo pormenor, com a pintura mais perfeita, com o penteado mais fantabulástico, com o vestido que mais chama à atenção e com os passos mais brilhantes que vou ser mais feliz? Não. É tudo irreal quando se sai da pista para fora. No dia-a-dia, volto a ser a mesma pessoa, que não sabe quem realmente é, e volto a pensar quem sou eu? O que estou aqui a fazer? Mais uma vez fingi ser alguem, tentei ser superior, enfrentei imensas pessoas, tentei superá-las, para que? Só para tentar ser quem não sou?!
Cada um de nós transmite o ser que quer que os outros pessem que nós somos. No entanto, ninguém sabe quem realmente é; simplesmente tenta dar a parecer aos outros que tem o mundo a seus pés e, por vezes, nada tem.
Joana Perfeito;12º D

Voôs

O fim da tarde pode ser o nosso amanhecer, tudo depende da nossa interpretação de início e de fim…

Naquele dia, acordei com uma aragem da manhã a bater-me na cara, sentia uns salpicos a percorrerem-me o rosto, ouvia alguma agitação mas sabia muito bem que não era agitação de pessoas. Era algo muito melhor, algo muito, mas muito melhor…
Não sabia se estava acordado ou simplesmente a sonhar. Porém, era incapaz de abrir os olhos e estragar todo aquele momento que, apesar de misterioso, eu estava a adorar.
Ouvia a água, sentia algo fresco a alcançar a minha face. Imaginei… Imaginei que estava na praia, a observar o nascer do sol, o mar a ganhar a cor que estamos acostumados a atribuir-lhe, talvez por só o visitarmos no Verão, ou ao final da tarde, no Verão… Este mar muda de cor, ora é azul, ora verde, ora branco, ora azul, ora branco… Não mantinha a mesma cor, talvez por para não perder a beleza e o mistério, ou então, apenas para chamar a minha atenção.
Voltei atrás no meu pensamento, podia naquele momento não estar na praia, e se eu estivesse no alto mar?! Rodeado de marinheiros e de piratas, num navio de madeira escura e gasta; num mar azul que, na verdade, era preto, negro, como o luto destes marinheiros, como a bandeira içada que os alertava dos perigos do mar…
Neste momento, percebi que tinha medo de estar naquele lugar. Ainda de olhos fechados, deitado não sei onde, pressionei, com força, estas janelas que me levam para outros mundos e tentei voltar à praia. Estava agora numa ilha deserta, só eu e o mar, e eu, e o mar…
Percebi, então, que o medo é imaginado e só não é superado quando a pessoa, que teme, sem saber realmente o que teme, não tem imaginação suficiente para se transportar para outro lugar e fugir desses medos…
Ainda hoje não sei onde acordei, só porque ainda não tive coragem para abrir os olhos e enfrentar o mundo tal e qual como ele é na realidade. E para quê? Se posso ser tão mais feliz, fechando os olhos ao mundo real e imaginando o meu, dando-lhe toda a perfeição que desejar…


João Pedro Rocha;12º D

Anjo e Demónio

Todos nós somos duas pessoas. Não falo da doença bipolaridade, falo sim no facto de todos nós, por mais que neguemos, mostramos à sociedade uma das pessoas que somos: A outra fica escondida na nossa intimidade. Quando falo em sociedade, falo nos amigos e na família; para eles, não somos a mesma pessoa que ficou no quarto enquanto estávamos sozinhos.
No meu caso, mudo quando estou em sociedade, mas não muito pois, como tenho um feitio muito vincado, (quase) nada me consegue deitar a baixo, por mais grave que seja. Não gosto de ser assim, mas é a minha maneira de ser. Várias vezes digo que não tenho sentimentos e, na verdade, concordo comigo próprio.
A minha outra pessoa é mais simples, mais calma, pensa nos actos que, futuramente podem ser favoráveis ou negativos.
É como se tivesse dentro de mim um anjo e um diabo: o anjo, é a minha segunda pessoa que é racional e que, por vezes, infelizmente, só aparece quando estou sozinho; o diabo, está comigo quase 24 horas por dia, não pensa no que faz, não sente nem quer sentir nada e é o menos racional possível. Tudo isto é confuso, mas eu sou assim!
Há pessoas que ficam deprimidas quando chegam a casa por vários motivos: por não querer estar sozinhas, por estarem cansadas ou, simplesmente, porque ficam. Cada um de nós tem uma maneira de ser, um feitio, um lado que é de nós próprios. No meu caso, sou positivo para manter o equilíbrio de que necessito no dia-a-dia.
Agora, a ‘segunda pessoa’ da vizinha do lado pode-a tornar uma pessoa má que nem de ela própria gosta, ninguém sabe, nem vai saber pois tal como ela, ninguém a vai mostrar.

Manuel Mascarenhas; 12ºD

domingo, 10 de outubro de 2010

Imaginem!

Imaginem.
Uma casa sem família. Gavetas abertas sem meias. O mercado do bulhão sem vendedoras. O mês de dezembro sem o Natal. Os teatros sem atores e encenadores. As ruas sem movimento. As estradas sem carros, motos e camiões. Um mundo sem cor, vazio!
Agora imaginem os nossos atos sem a letra “cê”. Aqueles que leem sem acento circunflexo. Andar em contrarrelógio sem o hífen. Passear pela quinta do chafariz sem as letras maiúsculas que a elevam. Olhar para o céu e ver um asteroide sem acento agudo.
Todos chegamos à mesma conclusão. A língua portuguesa ao abrigo do novo acordo ortográfico é como um mundo sem cor.

Beatriz Madeira; 12º C

Beleza e Perigo


É no final de tarde, que mais gosto de te ver. Mas sabes o quanto ainda me custa ver-te? Não deves ter a mais pálida ideia…
O caminho até ti é o caminho que tantas outras pessoas percorrem; é por isso que me perco nas pegadas que elas deixam. Umas grandes, outras pequenas, mas todas elas vão dar a ti. Tu, que tens tantas tonalidades de azul, tens a força que mais ninguém tem, tens esse cheiro a maresia que é tão teu! Todos te admiram; refrescas os corpos nas tardes escaldantes de Agosto e ainda és o ganha-pão de muitas famílias.
Verdade seja dita, respeito-te, mas odeio-te por levares tantas vidas. Já não olho para ti como olhava quando tinha quatro anos, mas continuas igual. Continuas calmo e matreiro, a fazer remoinhos quando as ondas, com espuma, rebentam na areia, repleto de peixes de todas as espécies…. Contudo, ainda te culpo por tudo.
Agora, com o cair da noite, deixo-te e parto mais calma, porque por momentos vou deixar de te ver e só te vou ouvir…
Carla Gregório; 12º C

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Momento Perfeito

São 20h30 e estou a passear na praia. Vejo a praia quase deserta: amigos a arrumarem a “tralha” para ir para casa e alguns casais a namorar e, quem sabe, ainda pernoitem por lá? O mar está agitado, mas não muito, o suficiente para, quando uma onda rebenta, ser visível o tom doirado do sol nas várias partículas de água.
Há nuvens, mas nuvens boas, aquelas nuvens que circundam o sol, dando-lhe a sensação de que ele é o ser mais importante. O sol cada vez fica mais fraco, as nuvens começam a perder a cor branca e juntam-se á cor alaranjada com uns reflexos de doirado e roxo, ficando iguais ao céu.
A areia está húmida e brilhante, como se o mar fosse feito de diamantes e de vez em quando deixasse alguns em Terra para a areia ter direito a brilhar tanto como o mar quando o sol, lhe reflecte directamente. Esta areia também tem um tom claro, mas muito forte, uma cor difícil de explicar, mas muito parecida com com o doirado em que o céu se transformou. Em algumas poças de água, conseguimos ver as outras cores do céu, o roxo principalmente, e as nuvens a desfazerem-se suavemente, rendendo-se à cor avermelhada e roxa, uma junção estranha de cores, mas possível e bela.
Este é um final de tarde perfeito, onde rodeados por todas as cores, conseguimos um momento para pensar, apenas para pensar e observar o grande fenómeno da natureza, o pôr-do-sol!

Manuel Mascarenhas; 12ºD

Deslumbramentos

Já passava das cinco horas da tarde, e o mar estava turbulento, parecia revoltar-se com tudo e todos. Eu perguntava “ Porquê tanta agressividade?”.
Nem as gaivotas poisavam na areia, perto da rebentação das ondas. O sol estava entristecido. A paisagem morria pouco a pouco, com a exaltação do mar. As pessoas em menos de nada saíram da praia, como se o mar lhes transmitisse um sinal de perigo.
Não conseguia entender nada do que se estava a passar!
Pouco depois, após ter percorrido a praia de uma ponta à outra, sentei-me mesmo a meio, com os pés enterrados na areia. Fixei somente os meus olhos no mar! Somente nele.
De repente, tudo mudou… o sol apareceu, já era o pôr-do-sol. O mar acalmou, sem ondas, sem turbulências. Transformou-se numa autêntica piscina. As gaivotas poisaram nos barcos, outras na areia a “brincar” com a água. Quase diria que estava num paraíso. O azul esverdeado do mar, enchia-me os olhos, a areia doirada e bege, estava ainda quente e suave. Os molhos de pedra, ao fundo do mar, reflectiam o pôr-do-sol.
Começou a anoitecer… Despedi-me com saudade de todo aquele deslumbramento!


Ana Trindade; 12º D

domingo, 26 de setembro de 2010

Final do Dia...

Já no final da tarde, num dia alegre de verão, vê-se os nadadores salvadores recolherem as bóias apressadamente e seguirem caminho de suas casas.
Ao fundo, avista-se o mar. Brilhante, a atravessar a areia com toda a delicadeza, espumando no rebentar das ondas, mas sempre a transmitir calma e paz.
Para quem diz que o mar é perigoso, não lhe vê os benefícios.
A praia quase deserta já. O silêncio reinava e toda aquela paz de um final do dia, na praia, era algo magnífico e inesquecível.
Restava, então, arrumar a minha toalha azul-do-mar, com aquele cheirinho de verão, doce, quente, fazendo lembrar areia e mar, agarrar no sombreiro, pegar na lancheira já vazia, e regressar a casa para outro dia-a-dia melancólico.

Joana Perfeito; 12º D

Na Água


Estou quase há dez minutos à procura do sítio ideal para me sentar. Tem de ser um sítio calmo, para poder pensar e reflectir à vontade sem ser incomodada pelas brincadeiras e correrias dos mais pequenos.
Onde é que eu vou encontrar um sítio assim? Oh! Ali está! Está ali uma rocha mesmo a pedir para me sentar em cima dela. O que será que o mar tem para me dizer hoje? Está mais agitado que ontem, é verdade, mas todos nós temos dias assim… Dias mais calmos, dias que são uma verdadeira correria, enfim… Dias.
O mar está esverdeado hoje… Parece que estamos nas Maldivas, só de olhar para a cor do mar.
Gosto do mar. Transmite-me calma, confiança e tranquilidade. Dá-me vontade de ficar lá dentro para sempre, absorvida por aquela calma. Podia ser que assim esquecesse a minha vida e as minhas dores de cabeça desnecessárias. Preciso é de calma.
Dou dois passos e estou com água pelos tornozelos. Está fria, mas não me impede de continuar a avançar. Gosto tanto do Verão. Gosto dos banhos, das brincadeiras, de estar a dormir ao sol e, principalmente, de como me sinto.
Sinto-me outra no verão. Sinto-me cheia de energia, animada e feliz. Não que o não seja no resto do ano, mas acentua-se nesta época.
Gosto do verão como gosto de escrever: quando começo, não quero que acabe!

Ana Laura – 12ºC

Jogo de Cores

Aqui estou eu, mais uma vez a captar toda a essência do pôr-do-sol. O mar é um jogo de cores que seduz e apraz. Laranja, rosa, violeta. Uma mudança incrível para os meus olhos. À medida que o sol desce e o céu escurece a cor muda, tornando-se cada vez menos intensa. Vejo, ao longe o que parece ser um barco, mas não tenho a certeza. Só sei que está a ser engolido pela cor e pela luz. A esta distância é apenas uma forma que foi seduzida pela intensidade e pela beleza da luz. Concentro-me naquele objecto e tento perceber porque não se move. Talvez esteja tão embevecido pela luz, tal com eu, que nem é capaz de sair do lugar. De repente, a forma move-se, movimenta-se ao sabor das ondas. À medida que anda apercebo-me de que o mar me molha os pés. As conchas acompanham o movimento do mar, numa beleza que só quem vê entende.
Agora relembro, em cada vez que aqui estive a visão era diferente, parece que nunca vou ao mesmo lugar, mas a verdade é que a beira-mar em que me encontro, neste final de tarde é o mesmo em que estive ontem e em muitos outros dias. Apenas a luz se tem vindo a aperfeiçoar.

Patrícia Chainho; 12º D

Tu e Eu

As férias estão a terminar e o frio não tarda e chega, substituindo estas tardes quentes de raios de luz que se espelham e se multiplicam sobre a água límpida e ainda morna depois de exposta sob as horas de maior calor, em que o sol parecia que estava tão perto do solo que torrava, um a um, todos os grãos de areia seca da praia, e que queimavam os pés descalços de quem, por cima dela, passasse.
O dia tinha sido longo… mas ao entardecer, a pouco e a pouco, os últimos banhistas desocupavam os seus lugares e saíam carregados com as trouxas de um dia inteiro de praia.
Enfim, a praia ficava deserta e só nós permanecíamos ali. Tu e eu queríamos aproveitar até ao cair da noite aqueles últimos raios de sol, as últimas gotas de água salgada e a última brisa do mar daquele nosso Verão.

Marlene Silva 12ºC

Fim de Tarde

Fim da tarde, estaciono o carro e olho o mar. Está calminho, sereno, como se de um bebé se tratasse. Sinto-me bem aqui, mas ali em baixo, sentada sobre a areia devo sentir-me melhor.
Desço do carro, caminho pelo areal até à beira da água, molho os pés, esta frescura sabe tão bem, alivia-me o stress, acalma-me de tal forma. Sinto-me outra.
Olho o horizonte, vejo água. Mas não é só água. Vejo todos os meus problemas, todas as questões pessoais, familiares. Enfim, mergulham lá no fundo, muito longe de mim. Fecho os olhos, esfrego-os e volto a olhar, não os vejo mais. Morreram. Estou tão leve. Uma quantia infinita de felicidade nadou até mim, infiltrou-se-me.
Patrícia Silva, 10ºC

Paleta de Cores

As horas passam, os minutos passam, os segundos passam e o sol, cada vez, vai ficando mais baixo, como se, a cada segundo, ele descesse um centímetro e se aproximasse do mar com uma vontade descontrolada de nele se esconder.
Passeio-me pela praia, sento-me e observo. As cores, os sons, os movimentos, próprios da natureza, transmitem-me um sentimento de calma, de relaxamento e de felicidade. Sim, felicidade, porque um pôr-do-sol bonito como este, faz-me sorrir. Chamem-me tonta, chamem-me louca, mas é a mais pura das verdades.
Olhar para estas imagens, este céu que de azul bebé passou para amarelo alaranjado, desse amarelo alaranjado para um cor de rosa a tender para o roxo e deixando uma bola de fogo a desaparecer no horizonte. Fico a pensar em como a natureza se transforma e modifica sem qualquer tipo de interferência humana. Neste momento já é noite e dou por mim sentada na areia a pensar em que em algum lugar, do outro lado do Mundo, o dia acabou de nascer. Fico feliz!


Mariana Carvalho; 12º

Com Prazer...

Pôr-do-Sol, a doce lembrança de tempos passados.
Fecho os olhos enquanto aspiro o ar húmido. Sinto a areia molhada debaixo dos meus pés descalços enquanto caminho.
Uma brisa leve beija-me o rosto e acaricia-me os cabelos.
Sento-me à beira-mar e olho o horizonte. As nuvens, tingidas de laranja e violeta, formam castelos no céu; olho-os, imaginando-me a dançar valsas no seu interior. As ondas rebentam junto a mim, salpicando-me com aquela espuma cristalina, lágrimas de sereias que entoam o seu canto algures.
Mais uma vez deixo o ar salgado queimar-me os pulmões enquanto me deito na areia. Olho o céu. As cores misturam-se numa dança hipnotizante, convidando-me a juntar-me a elas. “Com todo o prazer!”.E a minha mente salta, rodopia no meio do espectáculo cromático, até, suavemente, tocar o oceano.
Fecho, então, os olhos, recordando ainda aquelas visões. A tranquilidade apodera-se de mim e do tempo.
Lentamente, sinto a noite chegar.

Margarida Andrade; 12ºD

Contemplar o Mar!

Sinto-me só. Sou constantemente invadida pela tristeza que, ultimamente, insiste em não me dizer um adeus.
Ao final da tarde, depois de um longo dia naquele escritório que mais parece uma prisão, pego no meu carro e decido olhar o mar e ouvir aquele doce e suave som das ondas a rebentar que tanto me acalma a alma e me adoça a mente. Aquela mistura de cor azul e verde, o branco da espuma e o cheiro a maresia fazem-me ganhar consciência da beleza da vida, fazem-me sonhar. Consigo imaginar-me numa ilha rodeada de mar, longe dos problemas, longe da solidão, longe deste desgaste físico e psicológico que me destrói. Então, lembro-me de quando era miúda e da minha enorme paixão pelo cheiro do mar, pela areia. Os castelos de areia transformavam-se na minha mente de criança, em grandes castelos de pedra, com grandes muralhas onde eu era a princesa e ele o príncipe, onde todos eram felizes e eu nem sabia o que significava a palavra solidão.
Quando me deitava, desenhava um anjo que acabava por desaparecer com as ondas. Costumava pensar que o anjo ia, mas voltava quando eu precisa-se e esse anjo voltou, voltou para me ajudar e as ondas do mar varreram os meus problemas, as minhas assombrações. Hoje, sou feliz!

Catarina Sabino 12ºD

Pôr-do-sol

Sinto-me triste e decido ir ver o pôr-do-sol à beira-mar. Pego no carro e arranco rumo à praia mais próxima. Pelo caminho, mil e uma ideias atravessam a minha mente e eu não suporto mais. Finalmente, cheguei à praia. Saio do carro e páro. Todo o meu corpo fica hipnotizado, não consigo fazer o simples movimento de fechar a porta. Não consigo desviar o olhar daquele maravilhoso espectáculo, daquele fenómeno tão único, tão verdadeiro e simples. Fico longos minutos a contemplar aquele acontecimento tão esplêndido. De repente, “acordo” para a realidade e decido ir caminhar à beira-mar. Reparo num barco lá bem ao fundo, dá a sensação que está precisamente em cima da linha do horizonte que divide o céu do mar. Há quem diga que esta linha é apenas fruto da imaginação, mas também há quem diga que ela existe mesmo. O facto é que os meus olhos, à vista desarmada, conseguem vê-la. Toda esta mistura de cores atravessa o azul claro do céu. O cor-de-rosa, o violeta, o amarelo, o cor-de-laranja, e até o vermelho, são cores que me fazem pensar. Olho para elas e interrogo-me porque é que elas estão ali, o que fazem ali. De repente, olho para o relógio e desato a correr. Não acredito que já são 9horas da noite. Tenho que ir para casa. Entro no carro e fico meia dúzia de minutos a olhar para o último centímetro de sol que ainda avisto. Como é que o sol se “esconde” por detrás daquela linha tão imaginária? No fundo, acredito que ela existe mesmo. Todas as ideias desaparecem da minha cabeça, como se aquele maravilhoso pôr-do-sol tivesse sido uma lavagem cerebral. Sinto-me muito melhor, confesso!

Patrícia Pereira; 12º C

Maresia

Numa tarde de tristeza, saí
Procurando ajuda no som, no toque do mar
Arrependendo-me de tudo, fugi pr’ali
Com esta fome de felicidade que não consigo saciar

Sinto a maresia a passar
Observando as ondas conturbadas do mar
Queria apagar tudo o que fizeste
E dar-te tudo o que não me deste.

Alexandra Castro, 12ºD

sábado, 18 de setembro de 2010

Há Dias e Dias

Estou quase há dez minutos à procura do sítio ideal para me sentar. Tem de ser um sítio calmo, para poder pensar e reflectir à vontade sem ser incomodada pelas brincadeiras e correrias dos mais pequenos.
Onde é que eu vou encontrar um sítio assim? Oh! Ali está! Está ali uma rocha mesmo a pedir para me sentar em cima dela. O que será que o mar tem para me dizer hoje? Está mais agitado que ontem, é verdade, mas todos nós temos dias assim… Dias mais calmos, dias que são uma verdadeira correria, enfim… Dias.
O mar está esverdeado hoje… Parece que estamos nas Maldivas, só de olhar para a cor do mar.
Gosto do mar. Transmite-me calma, confiança e tranquilidade. Dá-me vontade de ficar lá dentro para sempre, absorvida por aquela calma. Podia ser que assim esquecesse a minha via e as minhas dores de cabeça desnecessárias. Preciso é de calma.
Dou dois passos e estou com água pelos tornozelos. Está fria, mas não me impede de continuar a avançar. Gosto tanto do Verão. Gosto dos banhos, das brincadeiras, de estar a dormir ao sol e, principalmente, de como me sinto.
Sinto-me outra no verão. Sinto-me cheia de energia, animada e feliz. Não que o não seja no resto do ano, mas acentua-se nesta época.
Gosto do verão como gosto de escrever: quando começo, não quero que acabe!

Ana Laura; 12ºC

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Paixão



Tudo começou numa linda manhã de Agosto, em que fui passear pela Costa Vicentina, para desfrutar de um belo dia de praia em São Torpes. Quando lá cheguei, o mar estava calmo, sentia-se a brisa e ouviam-se muitas gaivotas. Estendi a minha toalha e fui a correr para o banho e foi aí que me deparei com uma rapariga, que posso dizer ser algo invulgar. Olhei para ela durante alguns minutos, até que ela percebeu que eu estava a olhá-la. Eu desviei o olhar embaraçado.
Senti-me tão estranho, ela era uma rapariga que apenas tinha visto uma vez no Facebook! Do nada, mexera comigo de uma maneira que nunca antes sentira. Ela era especial, possuía uma personalidade que me agradava e o que é certo é que me conquistou!
Tentei aproximar-me dela mais algumas vezes, mas era quase sempre interrompido pelos seus amigos. Houve um momento em que tive oportunidade de falar com ela e hesitei, porque meti na cabeça que ela ainda me chamava parvo ou algo do género. Pensei não ter hipóteses.
Ao final do dia, sentei-me à beira mar, na areia, a olhar o vasto horizonte em que apenas se via um lindo pôr-do-sol, até que ouvi uma voz doce, posso dizer até, inesquecível de rapariga : “ Olá!”
Quando olhei era aquela rapariga que tanto desejara, fiquei feliz! Falámos um pouco, até que lhe pedi o seu número de telemóvel.
Até que num dia de Setembro lá voltei. Àquela praia. E lá estava ela. Parecia esperar-me! Reencontrei-me com a rapariga, mas agora não só conhecida, também amiga. Como eu tanto sonhei, ela aceitou ser minha namorada.
A praia é, então, um sítio que mais bem me faz para relaxar e para AMAR! E se tivermos a ajuda do pôr-do-sol, tudo será ainda mais completo, mais perfeito!

Nuno Martins; 12ºC

Contemplação



Depois de um dia cansativo, nada sabe melhor do que um passeio à beira-mar. Sentir os grãos de areia nos pés descalços e a leve brisa no rosto enquanto admiro o lindo azul do mar.
A praia está deserta. Estou apenas eu para aqui a vaguear e a ouvir o som das ondas do mar, que me transmitem calma e tranquilidade. E, por momentos, consigo abstrair-me de tudo e de todos, fico apenas eu e esta paisagem maravilhosa!
Podia ficar a contemplar este mar azul e infinito para sempre, mas tenho que voltar para a minha vida e enfrentar outro dia cansativo sempre a pensar quando voltarei a admirar outra vez o sol a desaparecer no infinito.

Patrícia Marques; 12º C

Pôr-de-Sol


Passar o fim de tarde na praia é assistir ao maior espectáculo que é o pôr-do-sol, um espectáculo que não se paga. O que Portugal tem de melhor! É aquilo que, por vezes, nos arrepia ou, então, nos lembra grandes momentos das nossas vidas. Não há nada melhor do que estar sentado à beira-mar, sozinho ou acompanhado, a meditar ou, até, mesmo distraído com a natureza que nos rodeia: o mar, as gaivotas ou as rochas que levam com as ondas do mar.
Aquele cheiro a fresco e o som das ondas! Não há nada melhor do que assistir a esse espectáculo que ninguém paga mas, que, por vezes, nos marca e nos traz grandes lembranças, sejam elas tristes ou de grande alegria. O sol sempre vai estar lá a acompanhar-nos e a maravilhar-nos.

Catalin Vasile Cicau; 12º C

Passeio ao Pôr-do-Sol


Na areia molhada, estão marcadas as minhas pegadas. A água fria do mar toca-me levemente nos pés, deixando arrepios de frio no meu corpo.
O sol dá o seu último mergulho do dia, sendo este o mais longo e o mais belo. As cores fortes da estrela fundem-se com os tons suaves do oceano, criando pinceladas de cores quentes no céu. O reflexo do sol na água prolonga-se até ao branco da espuma das fracas ondas que agora se formam. Todos estes fenómenos me intrigam, fazem-me pensar como seriam os finais de tarde sem o pôr-do-sol à beira mar. Como seria o mundo se, subitamente, já não houvesse mar para o sol pousar? O planeta terra seria um local aborrecido, pois já não haveria pores-do-sol à beira mar que nos fizessem pensar.
Ao longe, vejo um banco a intrometer-se no mergulho do sol no mar. A sua silhueta, na água, cria uma pincelada negra no reflexo do sol. É como se um corvo pousasse numa árvore verde e fresca. Estragou o único momento que o sol tinha para si.
As minhas pegadas, agora, afastam-se do mar.

Beatriz Madeira; 12ºC

Adeus, Verão!

O dia está a chegar ao fim. Já consigo ver a lua minguante a querer ocupar o seu lugar cativo no céu. Um passeio à beira-mar parece-me a despedida perfeita.
Ao contrário do que costuma acontecer, o mar continua calmo. A ondulação fraca e baixa vai batendo, ao de leve, nas rochas e no pontão comprido e cinzento. Está tudo tão calmo que eu sinto-me em paz e também calma. Faço para não pensar que este Verão está a chegar ao fim. Estava a ser tão bom…
Queria dar mais um mergulho, mas a minha mãe não me deixa. Diz que é muito tarde e que depois não seco a tempo de ir para casa… Coisas de mãe!
O céu já começa a ficar nublado, mas o cor-de-rosa continua bonito. Ficava por aqui, mas a mãe já chama. Hora de ir para casa! Praia, Verão, esperem! Eu volto!

Ana Sobral; 12ºC

Fim de Tarde

Passeio pela areia, clara e quente, que me faz lembrar os dias de praia e calor que o Verão nos proporciona. Chinelos na mão, passeio por entre pegadas na areia, já existentes, de alguém que, tal como eu, procura as respostas ou simplesmente observa a beleza que o mar nos pode dar. Alguém que não caminhava sozinho, ao contrário de mim. Sento-me na areia quente e observo o mar. O brilho do sol reflectido na água. As gaivotas voam por cima da minha cabeça. O mar está calmo e a maré vazia. As conchas estão "descobertas", tal como as lapas que estão nas rochas. Não há o barulho da água a embater nas rochas, apenas o canto das gaivotas que já passeiam pela areia quente. Aproximam-se cada vez mais. Não há vento. É como se o tempo tivesse parado, excepto para mim e para aquelas pequenas gaivotas que me acompanham naquele fim de tarde, onde parece que tudo é perfeito. Nada parece tão mau, tão pessimista…. O mar tem destas coisas, acalma-nos e leva-nos a alma, como se fossemos uma daquelas gaivotas que passeiam no céu. Levanto-me e vou para perto do mar. Molho os pés, naquela água azul e fria, que embate nas minhas pernas como se me estivesse a dar vida. Traz-me recordações. Lembranças e pensamentos que me assaltam, algures nesta vida. Faz-me feliz e livre! Deixa-me sonhar e não me desilude. É por isso que eu gosto tanto dele!

Patrícia Santos; 12ºC

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Meu "Bichinho"

Acabei de ler um livro. Estou deitada na cama, de barriga para cima, e tenho vontade de escrever, mas não sei o quê. Olho para o tecto imaculadamente branco, desinfectado e sem uma única mancha, mas depressa mudo o olhar para a minha parede roxa. Que estupidez. No que é que pensara quando a pintei desta cor? Oiço as minhas irmãs a falar. Será que nunca se calam? Já estou farta das suas conversas fúteis sobre coisas de crianças.
De repente a Ana entra pelo meu quarto e puxa-me pelo braço, deve querer que brinque com ela. Não sinto o meu braço nem o seu toque, deve ser dos comprimidos. Prometera à minha mãe, mas não os consigo deixar. Depressa este pensamento desaparece da minha mente.
Ela quer brincar às Barbies, para variar. Mas hoje ela não está bem. Está outra vez com aquela respiração forçada, não pára de tremer nem de lacrimejar. Dava tudo para ser eu a ter estes sintomas. No início tudo é pior. Eu sou a Barbie loira e ela é a morena. Não vamos brincar às casinhas, como sempre, vamos brincar aos hospitais.
Nesse momento não pude evitar, sai da sala a correr e fui a chorar para o meu quarto. Depois de todos aqueles anos, passados numa sala branca, vazia e sozinha, ainda continuo nervosa sempre que me falam em hospitais e médicos. Não quero que ela sofra tudo aquilo que eu sofri. Não quero que ela passe pelo mesmo que eu passei.
Amo-a tanto. Porque é que a vida é assim? Mal ela nasceu, teve que ser colocada numa sala de cuidados intensivos, tal como eu. Mão quero que ela passe a sua infância num hospital, rodeada de gente que não conhece, de sorrisos falsos, e pessoas que digam que ela vai melhorar... Não quero que ela perca os desfiles de Carnaval da escola, só porque tem que ir a uma consulta ou porque está com uma crise. Não quero que ela seja excluída e gozada porque passa tanto tempo sozinho no hospital para não conseguir lidar com pessoas.
Fiz o meu primeiro amigo aos nove anos. E não quero que ela passe nove anos da sua vida sozinha, sem ter quem a apoie e a ajude a carregar este fardo.
Porque é que o meu “bichinho” tem o mesmo que eu?
Ela entrou no quarto e abraçou-me. Amo-a tanto. É tão bonita e tão inteligente. Só tem três anos e já sabe contar até dez; adoro as trancinhas que a minha mãe lhe faz, dão-lhe um ar de bonequinha de trapos.
Ela está a tentar consolar-me. Olho para a sua mãozinha, que continua a tremer, e meto-a na boca. Ela odeia quando faço isso, e por isso foge aos berros para ao pé da mãe a dizer que eu lhe comi a mão.
Paro de chorar e penso: ela não vai passar por aquilo que eu passei. Tem-me a mim e eu nunca a irei abandonar. Não voltarei a cometer os mesmos erros que cometi no passado com a Alicia.
Não vejo a Ana como uma irmã. Vejo-a como se fosse minha filha, ou uma parte muito importante de mim e, por isso, mimo-a demasiado. De certa forma, uso-a para compensar o afecto que não tive quando era pequena e para compensar o tempo que não passei com a Alicia, e com os meus pais, e o meu erro custou a nossa relação de irmãs.
Apesar de não o demonstrar, eu sei que o meu pai sofre muito com as nossas “particularidades”. Não gosto de lhe chamar doença, faz-me pensar em todas aquelas crianças cinzentas que partilhavam o quarto de hospital comigo.
Dediquei-me tanto à saúde da minha irmã, que acabei por esquecer a minha e agora, passados cinco anos sem fazer os tratamentos, vou ter que voltar a fazer tudo de novo e passar por tudo q que passei antes: os mesmos testes, os mesmos desconhecidos com sorrisos falsos, as mesmas falsas esperanças e as mesmas noites passadas em claro, agarrada ao omron CX3 para conseguir sobreviver a mais um dia “normal”.
Mas não me importo porque agora não me vou deixar levar pela medicação e pelos maus resultados dos exames. Já não vou sofrer com antes porque sei que quando chegar a casa o meu “bichinho” estará á minha espera.

Flávia; 11º D