sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Quando eu era menina...

Muitas são as memórias que retenho da minha infância, que me fazem sorrir ou chorar quando fecho os olhos e abro o meu precioso baú das recordações. No entanto, sem dúvida alguma, que as que surgem com um maior destaque são aquelas que incluem as visitas aos meus avós.
O meu pequeno cachorro corria à nossa frente, farejando incessantemente. Eu caminhava ao lado do meu avô em direcção ao gado. Umas flores amarelas já minhas conhecidas surgiam à minha frente e acabava sempre por ceder ao impulso de as colher. Já levava um molho bem grande quando dei conta. “Metade para a avó, metade para a mãe”, lembro-me de pensar.
O meu avô assobiou e a cadela pastora apressou-se a juntar algumas vacas que se afastavam e voltou para junto dele. Sentámo-nos numa valeta seca e o meu avô recostou-se para trás, tirando a boina e colocando-a sobre os olhos a tapar o sol. Recostei-me também e fiquei a observar as nuvens que formavam formas no céu.
Nós não falávamos muito. Na verdade, julgo que não tivéssemos muito a dizer um ao outro. Ainda assim, eu sabia que ele me amava. Sempre pronto a defender-me fosse qual fosse o disparate que eu fizesse e diga-se de passagem que eu fazia muitos. Sempre a ajudar-me a realizar qualquer objectivo. A colocar-me os gatinhos nos braços quando eu queria brincar com eles. A erguer-me quando queria dar palha a uma das suas vacas e não tinha nem altura para chegar à manjedoura. O meu avô era assim, simples. Não ligava a política, nem a futebol, mas sabia tudo e mais alguma coisa sobre agricultura e sobre as dificuldades da vida. Quando lhe falavam em crise lembro-me vivamente dele sorrir e responder com sabedoria: “Não falem do que não sabem, porque nunca estivemos tão bem como agora.”.
Dei por mim a soltar uma pequena gargalhada e a mirá-lo com a boina ainda na cara. Levantei-me, sacudi a terra das calças e disse adeus ao meu avô.
Corri até à minha avó que me esperava com um alguidar de água nas mãos e acompanhei-a até casa. Pousou o alguidar em cima da mesa e começou a descascar batatas.
Fui buscar o meu pequeno tacho, que havia anos ela me tinha comprado e estendi a mão à espera da primeira batata. A minha avó passou-me uma pequena batata e cortei-a para o tacho. Era assim a minha brincadeira de faz de conta, e, embora, agora pareça uma parvoíce, naquela época eu deliciava-me a cortar legumes para dentro dum tacho e a mexê-los como se estivesse realmente a cozinhar.
Quando me recordo da minha infância, dou-me conta que passou rápido. A minha infância desapareceu e, depois os meus avós seguiram-lhe o rasto. Mas as memórias ficaram e essas jamais se poderão perder.


Joana Costa; 10º B

Memórias passadas, não esquecidas

Cabelinhos aos cachos, e sorrisinho maroto, estas eram as minhas principais características de criança. Ainda trago na minha memória algumas lembranças desta fase da minha vida.
Quando chegava a hora do almoço ou do jantar, fome era o que nunca tinha. Naquele dia tal como muitos outros, corria dos meus pais que tentavam, a todo o custo, colocar-me um colher de grão com arroz na boca. Inventavam as histórias mais criativas e fascinantes que uma criança poderia ouvir, e por sua vez, as mais cativantes, claro. No entanto, tudo isso parecia não resultar comigo, que teimava sempre em levar a minha ideia avante. Por cada colher que minha mãe pegava dizia “Ritinha, olha o avião!”, “Ritinha, uma colher para a avó, ela está doentinha1”, e a “Ritinha” desviava a cara, lembrava-se de contar alguma história, ou simplesmente fugia. Digamos que não era uma criança propriamente de “boa boca”, mas sim um “pisco”, como diziam. As tentativas que, na maioria das vezes, eram falhadas, de me tentar convencer a “abrir a boca” não ficavam apenas pelas histórias, pois quando as histórias não resultavam compareciam os bonecos. Era uma criança meiga, no entanto, muito traquina e teimosa. Nesse mesmo dia no qual o almoço era grão com arroz, a minha mãe foi comigo até ao jardim perto de minha casa, e tudo isto como forma de me distrair com algo e de, naquele momento de distracção, conseguir que comesse mais um colher de grão. Esta fazia referência às mais lindas flores que no jardim havia, aos passarinhos, aos cãezinhos das vizinhas, mas como é óbvio nada disso resultou nesse dia. Após estas tentativas, a minha mãe fartou-se de insistir como sempre insistia, e levou-me novamente para casa. Fê-lo, então na esperança que eu, ao jantar, comesse melhor. No entanto, como sempre essa ideia não foi das melhores, pois como é óbvio persisti em nada comer!
Enfim, eu era uma criança dócil, mas quando o assunto se c pendia para o lado das refeições, fugia delas a “sete pés”, e digamos que, por vezes, ainda o faço.


Rita Fernandes; 10º B

A Guitarra



Certo dia, a minha mãe comprou-me uma guitarra acústica. Fiquei muito contente e, nesse dia, não parei de tocar.
Na noite, estava eu contente a tocar “mal”, quando os meus pais se foram deitar (eles, nesse tempo, iam-se sempre deitar bem tarde) ouviram-me a tocar e ficaram admirados de eu ainda estar acordado àquelas horas da manhã. Por isso, ralharam comigo.
No dia seguinte, acordei bem cedo, mais cedo do que todos lá em casa (o meu pai costuma acordar às 6 e meia para ir para o trabalho), peguei na guitarra e comecei a tocar. Então, os meus pais apressaram-se a ir ao meu quarto para me repreenderem., Eu tinha acordado todos lá em casa com aquela barulheira horrível. Como castigo, os meus pais tiraram-me a viola o resto do dia. Eu amuei e fiz beicinho, mas sem resultado.
Mais tarde a umas horas mais “apropriadas”, liguei a televisão, mudei para o canal dos desenhos animados e pus-me a ver televisão até a minha mãe me vir dar a roupa para vestir para, depois, ir almoçar.
Vesti-me e almocei. Mal acabei de almoçar, fui ter com a minha mãe para lhe pedir que me devolvesse a guitarra. Então, ela disse-me não, pois eu estava de castigo. Ora, mas eu não desisti e continuei a chateá-la até que ela acabou por ceder. Eh eh que peste que eu era! Já com a minha querida guitarra nas mãos, fui para a rua e pus-me a tocar, toquei sem parar até me cansar.
Mais tarde já farto de tocar, comecei e brincar com a minha nova guitarra. Imaginei que ela era uma espécie de arma e que tinha vários inimigos para derrotar para passar de nível. As minhas brincadeiras da altura eram sempre fortemente influenciadas pelos jogos e pelos desenhos animados que via. E swiiiiiip e swooooop e vuuuuum e lá ia eu derrotando os inimigos, até que a guitarra se escapa das minhas mãos e caiu no chão. Partiu-se em dois bocados. Mesmo com ela partida não parei a minha brincadeira; continuei a fingir que tinha ganho uma nova arma. Quando se fez noite e entrei em casa com a guitarra feita em duas, a minha mãe gritou:
-LEEEEEEEANDRO o que e que fizeste? – e apontou para a guitarra partida. Eu respondi:
-Deixei-a cair enquanto brincava com ela e partiu-se.
- Mas a guitarra não é para se brincar, é para tocares.
A minha mãe ralhou comigo a noite inteira e pôs-me de castigo, de novo. Eu não podia jogar, nem ver televisão durante um mês. É claro que eu tentei a minha típica estratégia do beicinho e de chateá-la. Contudo, desta vez não resultou e fiquei mesmo sem jogar, nem ver televisão durante um mês inteirinho!
Mas isto não aconteceu só com a guitarra, tudo o que era brinquedo ou servisse para as minhas brincadeiras, ao fim de alguns dias acabava ou partido ou com alguma peça a faltar-lhes. Era por isso que algumas vassouras não tinham cabo.
Eu era uma peste; ninguém tinha mão em mim. Só um belo par de açoites e que me acalmava um bocado.
Foi assim a minha infância até ganhar juízo. Juízo? Será que ganhei mesmo algum?

Leandro Luz; nº21; 10ºB

Uma tarde inesperada

Já há algum tempo atrás quando ainda era verão, acordei e a minha mãe já tinha o meu pequeno-almoço preparado. Disse-me para me despachar e vestir alguma coisa. Eu assim o fiz sem saber onde a minha mãe estava a pensar ir. Ela preparou o saco como se fosse para ir para a praia. De seguida, fomos para o carro. Até chegar ao carro, não lhe perguntei onde íamos porque, naquela altura, eu não gostava de ir à praia. Entrámos no carro e eu perguntei baixinho:

- Onde vamos, mãe? Ela sorriu e respondeu:


- Vamos a Beja ter com os tios.


Fiquei muito contente, já não os via há muito tempo. Durante a viagem, a minha mãe explicou-me que eles tinham comprado uma casa numa aldeia nos arredores de Beja. A viagem foi rápida; nem dei pelo tempo passar… Quando chegámos já era hora de almoço e fiquei logo surpreso, pois a aldeia e era mesmo pequena e a casa dos meus tios era a maior da aldeia. O caminho até lá era difícil; as estradas eram estreitas e a casa ficava mesmo no sítio mais alto da aldeia. Era uma casa muito grande com um jardim lindíssimo à volta da piscina. Almoçámos todos e eu já estava até preparado para ir para a piscina, mas tive de esperar para fazer a digestão. Enquanto esperava, vim um filme de ação com um actor muito bom. Quando o filme acabou, vesti os calções e dei logo um mergulho. Lembro-me bem: a água estava um gelo. Passei o tempo todo em cima de um castelo insuflável a imaginar os guerreiros do filme a tentarem invadir o meu castelo e, algumas vezes, caia dentro de água. Esta foi uma tarde em grande. Fiquei com pena de não poder ficar para jantar, pois fomos logo embora. Durante o caminho para a minha casa, vim a dormir, já que estava cansando de nadar e de dar os pulos naquele divertido castelo insuflável.


Agora vocês já sabem o que aconteceu da última vez que estive com os meus tios. Foi um dia muito bem passado.


César Baião; 10ºB;Nº8

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A minha primeira viagem de avião

Naquele verão, ainda de madrugada, vi as estrelas e parti. Parti para Lisboa.
Nas poucas horas em que estive na cama, pouco dormi, estava ansiosa por ir andar naquele pássaro gigante com motores nas asas.
Não via a hora de chegar ao aeroporto. Mas, por fim, lá chegámos. Era enorme, nunca tinha visto nada assim!
Numa mão, uma boneca, com a outra puxava orgulhosamente a minha mala.
- Cabo Verde, está ali! – dizia o meu pai enquanto apontava para o painel de partidas.
Estava encantada... Fizemos o check-in e lá foram as nossas malas. Depois passámos por uma máquina que apitava, se tivéssemos algum objeto de metal. E quando eu passei, apitou, mas não me assustei. Era apenas o meu cinto.
Fui, a correr, para uma janela que nos dava o panorama de uma parte da cidade de Lisboa, dos aviões a aterrar e a descolar... Ainda era noite e todas aquelas luzes me fascinavam, estava ansiosa.
Finalmente, chegou a hora de embarcar. Entrei no avião e exclamei:
- É grande!
Levantámos voo, que sensação! Já bem lá em cima, o sol começou a nascer e, com a inocência dos meus três anos, comecei a imaginar desenhos nas nuvens:
- Uma borboleta! - dizia para a minha mãe.
- Um dragão! - dizia para o meu pai, quando os raios de sol incidiam nas nuvens.
Sentia-me como um pássaro livre, a sobrevoar a imensidão dos oceanos.
Ainda hoje recordo esse dia, a cada viagem regresso à ingenuidade dos meus três anos...

Catarina Vicente; nº 7; 10º B

Querida Avó!

Numa certa manha, muito antes do sol nascer já eu estava acordada, pois gostava do frio da manhã e de ver o nascer do sol. Depois do nascer do sol, a minha avó chamava-me.
- Ó Tiana, anda cá a avó! (Tiana era como a minha avó me tratava, era a maneira de ela ser carinhosa comigo).
Quando ela me chamava, eu tinha de ir logo, se não ela ficava chateada. Ao chegar ao pé da minha avó, ela disse-me:
-Senta-te filha, que é para tomares o pequeno-almoço. Come tudo.
A minha avó nunca queria que eu ficasse com fome. Nunca tivemos muito naquela altura, mas nunca me faltou nada.
Eu não posso dizer que tive uma infância normal, pois não a tive. Mas lembro-me de quando a minha avó me sentava no colo dela, ao pé do lume e me contava histórias antigas, e eu ficava encantada, e pensava: “ Será que um dia também serei grande e poderei ser assim tão corajosa quanto a minha avó?”
Esse dia foi óptimo; brinquei o dia inteiro, ouvi as histórias de minha avó, andei de bicicleta e fui dar um passeio com o meu avô. Fui a uma barragem, o que foi muito divertido. Aí, respirei o ar puro da natureza e, como de costume, atirei pedras para a água, para ouvir o barrulho que elas faziam ao bater na superfície espelhada.
Contudo, quando cheguei a casa tive um sobressalto - a minha avó estava desmaiada. Eu não sabia o que fazer. O meu avô foi logo chamar a ambulância para a minha avó ir para o hospital. Um dia que tinha começado tão bem ia acabar daquela maneira, tão mal.
Eu era uma criança e estava sempre com a minha avó e nessa altura a única coisa que me apetecia era chorar devido à falta que ela me fazia. E foi o que fiz. Escondi-me de todos e de tudo e limitei-me a chorar a falta dela.
E assim foi em lágrimas e grande tristeza que acabou um dos meus dias de infância.


Cristiana Quirino; Nº9 ; 10ºB

Uma manhã diferente




Acordei numa fria manhã de primavera. No entanto, não passava de uma manhã como todas as outras, fria mas solarenga, habitual na primavera alvaladense.
Era apenas um rapaz que pouco do mundo conhecia, era um rapaz jovem, com 8 anos.
Nesse dia, saí de casa para ir para a escola; estava no terceiro ano e, como já era habitual, nesse dia encontrei-me com o meu colega e amigo Frederico no caminho para a escola. Chegámos à escola sem nenhum contratempo. Foi quando lá chegámos que aconteceu o inesperado, ou seja, absolutamente nada. Entrámos calmamente para a aula e sentámo-nos confortavelmente nos nossos lugares habituais. A professora que até já estava presente na sala, deu início à aula como sempre dava, ordenando-nos que escrevêssemos, no meu caso, “Francisco Miguel Correia Fernandes, Alvalade-Sado” e depois a data, da qual já não me recordo. A meio desta aula, batem à porta da nossa sala. Achámos estranho, pois a única altura em que tal era habitual era quando a higienista oral ia à escola, algo que tínhamos a certeza que não era o caso, pois se fosse teríamos sido avisados previamente. Quem batia à porta era a auxiliar de educação que chamou a professora para ir ver uma criatura que, pelas grandes portas da escola, tinha entrado e que se encontrava encostado à porta da nossa sala de aula e não arredava pé, ou melhor, pata. Eu que estava completamente alheio da situação apercebi-me de alguns colegas meus a interrogarem-se “Francisco aquele não é o teu cão?”. E não é que era mesmo. Parece que o cão pulou a vedação e seguiu o meu rasto até à escola. Como tínhamos uma professora muito compreensiva e eu prometi que o cão não faria as suas necessidades dentro da sala de aula, ela permitiu que o cão permanecesse na sala durante o resto da manhã. A princípio, o meu cão estava muito irrequieto e “viajou” por toda sala como procurasse algo. Por fim, conseguiu sentar-se debaixo da minha carteira.
Ouviu-se o toque para que pudéssemos sair para o intervalo. Como em todos os intervalos, desafiámos a turma do quarto ano para um jogo de bola e como em todos os intervalos, ganhámos. Quanto ao meu cão, ele lá passou todo o intervalo fechado na sala, coitado!
Voltámos para a sala e nada de importante aconteceu até que chegou a hora de saída. Era quarta-feira e, por isso, não tínhamos aulas da parte da tarde. Saí com a intenção de regressar a casa, mas o meu cão recusava-se a fazê-lo, de maneira que tive que levá-lo ao colo. Como tinha uma blusa de malha, fiquei com a blusa cheia de pêlos do cão. Quando cheguei a casa de minha avó levei um grande sermão por causa da quantidade absurda de pêlos que trazia na blusa.
Portanto, posso dizer que aquele cão, que já não se senta ao pé de mim, que já não está entre nós, conseguiu transformar um dia como os outros num dia que nunca esquecerei.

Francisco Fernandes
Nº 14; 10ºB

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Boneca da MInha Infância

Naquela tarde, já ao pôr do sol, estava eu e a minha irmã a brincar no jardim quando chegou a minha avó. Ela trazia um estranho saco de plástico na mão. Logo, eu perguntei-lhe:
- Avó, o que trazes nesse saco?
- Já verás! – disse ela.
Fui de imediato para dentro com a minha irmã, atrás de minha avó, para ver o que ela trazia de tão misterioso naquele saco.
Enquanto lavava as mãos para, depois ir jantar, ouvi a minha mãe:
-Vá, despachem-se que a avó tem que ir se embora e quer dar-lhes uma coisa.
Mal, a minha mãe disse aquilo, eu corri para a sala para ver o que era.
-Isto trouxe-me a tia Margarida; é um presente de natal um pouco atrasado – disse, então, a avó.
Realmente já vinha atrasado, estávamos no final de Janeiro. Mas como a tia era de longe, era assim que acontecia todos os anos.
Assim que a minha avó me deu o presente, eu comecei a rasgá-lo muito rapidamente, pois estava muito curiosa.
Quando, por fim, terminei de o abrir, fiquei tão feliz que comecei aos saltos de alegria.
Era uma coisa que eu há tanto tempo pedia à minha mãe e ela sempre me dizia:
-Tens ali muitos brinquedos.
Eu ficava tão triste com o que a minha mãe me dizia que ia logo para o quarto. Ela mais tarde ia lá para me consolar e eu voltava a ficar bem. Era sempre assim quando eu me lembrava daquela boneca que tinha visto na montra da loja perto da minha escola.
Finalmente, ali tinha a boneca que tanto queria; era uma boneca com um lindo vestido cor-de-rosa e um cabelo castanho tão bonito. Sempre que olhava para a boneca imaginava-me com o vestido dela, parecia uma princesa.
Agora, passados anos, quando olho para aquela boneca lembro-me do dia em que a recebi, da cara de felicidade com que fiquei naquele momento.
Foi o melhor dia de minha infância.

Alexandra Candeias; 10º B

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Distúrbio I


Assim é a vida,
Carregada de confusão,
Arrumada em prateleiras inexistentes…
Imaginadas…

Ideias dispersas,
Promessas por cumprir e… esquecidas…
Verdades e mentiras que se baralham,
Certezas e incertezas certamente incertas

Assim é a vida…
Como uma estante imaginada,
La Biblioteque en Feu, Vieira da Silva
Uma imaginação que se confunde com a realidade…

Assim é… A vida…
Muitas vezes baralhando as emoções com bens materiais,
Um misto de falsidade e ignorância e imaginação… fértil…
Cadeiras que são membros, livros que são cérebros, escadas que são…
Ossos, talvez… divisórias quebradas…

Divisórias quebradas,
Que unem a verdade à mentira,
A realidade à ficção,
E é nesta “biblioteca infernal”
Que mesmo não sendo por mal,

Vivemos nesta enorme confusão...



A pintura de Vieira da Silva, La Biblioteque en Feu, é um misto de sensações; desperta em quem a vê, a curiosidade de tentar perceber mais e mais sobre ela…
É nesta enorme confusão, formada por divisórias, prateleiras, livros, vida inexistentes que o publico se perde, tentando perceber o que realmente significa, tentando aperceber-se da mensagem que o quadro tenta transmitir, e toda esta é tão simples…
A nossa vida é uma enorme confusão, feita de verdades e mentiras, de ilusões e desilusões, de imaginação e realidade… É nesta enorme confusão que vivemos, todos os dias tentando perceber o verdadeiro significado da nossa existência, não sobrando tempo para conseguirmos perceber uma obra de arte como esta…
Daí a qualidade do quadro, não vale a pena tentar perceber… Tal como a vida… Deve ser vivido e admirado…
Vivemos nesta enorme confusão…

João Pedro Rocha; 12º D

sábado, 19 de fevereiro de 2011

As Meninas

Paula Rego ;The Vivian Girls as Windmills, 1984


Este quadro é de Paula Rego uma pintora portuguesa que nos últimos tempos tem vindo a ser reconhecida por todos nós. Penso que este reconhecimento é bastante importante para o nosso país, porque a arte, no nosso país, devia ser mais valorizada tendo em conta que temos grandes artistas tão pouco valorizados muito embora estes pudessem enriquecer mais Portugal.
A razão pela qual escolhi um quadro de Paula Rego para dele falar foi o facto dos quadros da autora serem um pouco infantis à primeira vista e, ao mesmo tempo, retratarem a sua realidade.
Ora, neste quadro, a autora queria nos dar a ideia de desassossego, pois as meninas fazem estragos, contrariando a forma como se deveriam comportar… quebrando, com prazer e maldosamente, a melhor loiça da mãe.
Creio que o medo, os fantasmas e a agitação que se vive nos quadros deste período tenham sido uma preferência da autora, pois estas sensações estão marcadas em todos os seus quadros ao longo de um período da sua vida.

Ana Margarida Martins; 12ºC

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Separação

Helena Almeida, Separação, 1976

Olho para a fotografia de Helena Almeida e consegui identificar logo o grão perfeito que só a fotografia analógica tem. Toda a fotografia a filme tem uma essência inexplicável, boas tonalidades e, acima de tudo, muito trabalho por parte do fotógrafo. Com a evolução (para pior) da fotografia, já não há bons fotógrafos como havia antigamente. O grande Henri Cartier-Bresson foi um exemplo de um bom fotógrafo pois as suas fotografias tinham sentimento e originalidade. Agora, com a evolução do analógico para o digital, toda a essência original da fotografia e de fotografar acabou! Esta já não revoluciona as Artes Visuais como revolucionou na primeira metade do século XIX e já não há a surpresa e curiosidade de acabar um rolo e de o revelar com vários processos diferentes para sabermos se o nosso trabalho ficou ou não como queríamos. E é isso que me faz ficar triste e a pensar.


Com as máquinas digitais ultra-compactas e ultra-baratas, a fotografia passou a ser banal, não tem qualquer significado. Qualquer indivíduo com uma máquina tira uma fotografia, manipula-a e pensa que fez um bom trabalho mas, na verdade, não passa de uma imitação de qualquer fotografia que já viu e, ao estar excessivamente manipulada, a fotografia distancia-se muito da versão original e volta a não significar absolutamente NADA!


Vou continuar a fotografar em analógico, a estragar filmes e a tentar de novo, a gastar dinheiro para fotografias em papel e não as deixar ficar no computador para algum dia se perderem.


Ao fotografar em analógico, sinto-me a evoluir e não a regredir como os dependentes do digital…


Manuel Gamito; 12º D






Anjo

Helena Almeida, Tela Habitada 1977

Sempre o mesmo local, sempre à mesma hora, sempre a mesma visão. Um anjo? Não o sei. Talvez fosse apenas um espectro de luz. Fosse o que fosse, gostava de a observar…
Pura, por ali deambulava, frágil, tão frágil, que sempre imaginei que se lhe tocasse, desfazer-se-ia em mil borboletas, alvas como ela. Deambulava e cumprimentava as nuvens e sorria ao vento, e à chuva, quando a havia, falava com doçura.
Nunca soube quem ela era, alguns diziam-na louca, outros que era uma criança aprisionada num corpo de mulher, talvez. Mas, para mim, ela era simplesmente sonhadora, uma alma refém do seu próprio mundo; incompreendida pelos demais; o reflexo da perfeição. E ela lá estava, dia após dia, e eu, sentado num banco, observava-a, estudando todos os seus movimentos, desenhando todos os traços do seu rosto na minha mente, onde, sem me aperceber, ficariam gravados para sempre.
Nunca soube, e ainda agora não sei dizer que emoção me tomava quando a via, e mesmo que tentasse não conseguiria defini-la, mas nesses momentos sentia-me bem. E essa sensação esteve presente na minha vida ao longo de vários anos. Todos os dias, me dirigia àquele lugar mágico, onde a magia tinha forma humana.
Até que um dia, ela não apareceu.
Esperei minutos, horas… nada. Voltei no dia seguinte, e no outro e no outro, mas dela nem sinal. Não perdia, porém, a esperança de tornar a vê-la; tentei procurá-la, mas não sabia onde ou como. Perguntei, então, a amigos e conhecidos se sabiam do seu paradeiro.
Vim a saber uma semana mais tarde que o meu anjo subira ao Céu.

Margarida Andrade; 12º D

sábado, 12 de fevereiro de 2011


Amadeo de Souza-Cardoso é um pintor modernista. Foi ele, um dos principais nomes, a trazer para Portugal este tipo de arte.
A entrada da pintura modernista em Portugal não teve grande sucesso, chegando mesmo a ser criticada e ridicularizada, pois este tipo de arte veio mostrar, ao mundo, uma pintura de um grande erotismo e naturalidade.
Como tal, as obras deste pintor caracterizam-se muito pelo cubismo e pelo expressionismo. Ele apresenta bastantes paisagens exóticas, com desenhos cubistas que transmitem algum mistério e, por outro lado, alguma emoção.
Esta obra, a meu ver, simboliza, tanto pelo seu nome, como pelo tipo de pintura que é, a entrada do modernismo em Portugal, pois Amadeo de Souza-Cardoso acumulou só nesta obra muitos dos elementos da arte moderna. Acumula assim, elementos geométricos, com linhas encurvadas e muito coloridas que traduzem o cubismo e que nos conduzem a uma acção bastante dinâmica. Apresenta também, nesta obra a palavra “entrada”, instrumentos musicais e instrumentos eléctricos, pois é daí que concluo que o pintor tentou, com esta obra, introduzir e mostrar ao mundo o que era a arte moderna. Apresenta elementos estranhos e pouco usuais na arte, desse tempo… É, sem dúvida, um modernista.
Ana Silva; 12º C

Olha e Sente!

La Biblioteque en Feu, Vieira da Silva
Olha !
Olhaste? Viste bem ? Que viste?
Um monte de quadrados e riscos parecendo nada, não é?
Mas esse teu nada é tanto…
La bibliothèque en feu.
Mas isto não parece muito uma biblioteca, nem sei o que parece.
Aproximo-me…
Vejo livros, um vão de escadas, datas, pequenos quadrados parecendo divisões de uma casa…e as cores, lindas cores! Não sei nomeá-las… quanto mais pormenores tento ver menos vejo, tudo me foge ao pestanejar, tudo me foge ao respirar.
É tão lindo. Sei que é. Não sei o que é, mas sei que é lindo. Olhar e nada ver. Não ver, mas sentir! E sentir é o mais importante. Sinto a brisa fresca do Outono a cumprimentar a minha cara a folha de uma árvore a segurar na minha mão, e até o quente do Verão a aquecer o meu corpo… Sentir é o mais importante. Sentir!


Débora Paulino; 12º D
Fernando Pessoa , por Almada Negreiros
Observo atentamente o retrato de Fernando Pessoa, um ser angustiado que se desdobrou nos heterónimos, retratando os outros "eus" escondidos. Seria louco? Não! Foi um homem corajoso ao mostrar que, numa vida, se podem viver várias e todas elas de maneiras diferentes.
Morreu ainda cedo mas viveu intensamente, sofregamente. Mas viveu! E passou para o papel tudo aquilo que sentia, com a noção de que não era um ser apenas… era também Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, entre muitos outros. E todos eles eram um só: Fernando Pessoa… que sempre assumiu viver cercado de um mundo fictício. Talvez fosse mais fácil viver assim, acompanhado de seres fictícios. Seria uma melhor forma de encarar a solidão que habita a alma dos poetas, a inquietação que os leva ao desespero… Pergunto eu: não seremos todos nós um pouco assim? Acredito que sim, mas… temos vergonha de reconhecer que nos sentimos inquietos e que escrevemos o que nos vai na alma. Seria vergonhoso admitir perante todos os que nos rodeiam que escrevemos lamechices…
Ninguém se pode comparar a Pessoa mas que escrevemos lamechices e nos sentimos bem, lá isso é verdade! Quer queiramos, quer não… temos sentimentos. Sentimos ira, revolta, inquietação, angústia, medo, amor… Contudo, ninguém assume o que sente. Talvez seja por estarmos mais preocupados com a parte exterior do que com os nossos sentimentos.
Fernando Pessoa inspira-me e faz mostrar o melhor que há em mim, no meu “eu” interior. Basta-me olhar para esta imagem: uma inquietação calma, um olhar saudosista de ser: “ o menino da sua mãe”.

Maria Granado; 12ºD

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Arte de Sentir

Amadeo de Souza-Cardoso

Já repararam que a arte pode ser uma simples gargalhada? Mas… como é que se transmite isso para uma tela? Como é que se transmite essa sensação, esse ruído, esse sentimento? Será possível?
Muitas das vezes, os artistas confrontam-se com estas e outras questões. Imaginam, reflectem. Por vezes, o difícil é fazer com que o observador, desvende o verdadeiro mistério de um quadro. É certo que cada pessoa, tem uma maneira de o ver, uma maneira de o interpretar. Ora, saber ver e pensar, a meu ver, já é arte! Arte não é apenas ser profissional a desenhar, não é ser um excelente pintor. Arte é saber transmitir sentimentos e emoções, é ter ideias e saber partilhar de forma correcta essas ideias. Numa tela…
O quadro do qual eu vou falar, é do pintor Amadeu de Souza-Cardoso que foi um pintor português percursor da Arte Moderna.
Olhei para o quadro dele, e a primeira reacção que tive foi a de um simples sorriso. E porquê? Não sei! O plano principal que eu observo neste quadro é o de um violino, que me leva até à música. Logo, a música faz parte de mim, faz-me pensar em bons momentos.
Como planos secundários vejo, no meio de tanta confusão, um morango. O que é que terá pensado este artista para pintar, ali, aquele singelo morango?! Nem ele próprio talvez o saiba! Fui um impulso. Foi uma cor que ele quis introduzir… E uma quarta e uma mulher?
Só pelo facto de este pintor me ter feito pensar sobre o que poderia transmitir este quadro, já me aconteceu Arte! Pois, num variado conjunto de cores, linhas, formas, interrogações, abstraccionismo, expressões, está lá representada Arte. A arte que eu também vivi.
Afinal de contas o que é Arte? Muito sucintamente… É o que cada um de nós quiser! Basta saber sentir.
Ana Trindade; 12º D

Orquestra com morango

Amadeo de Souza-Cardoso

Ontem, dia do meu 18º aniversário, entrei numa grande aventura para me despedir da minha infância, não perdida, mas finalmente terminada. Sim, agora sou adulta, sou livre e farei tudo o que me apetecer. E foi este pensamento que me levou até Paris, a grande cidade-luz, para ver um concerto de música clássica de que nunca pensei vir a gostar.
Tudo começou com provocações por parte do meu progenitor, que eu,” sua filha, era uma rebelde, uma ignorante sem cultura, sem noção das coisas do mundo”, aquele mundo que o envolve mas não me envolve a mim, nem é o meu. Certo é que me meti num comboio, rodeada de pessoas estranhas, acompanhada pelos meus botões e, claro, por uma grande amiga, pois não me aventuraria sozinha, não me atrevia a tanto. É que eu também sinto aquele sintoma horrível da adrenalina e do desafio, o medo, como uma pessoa completamente normal que não sou.
O concerto teve a duração exacta de duas incríveis horas. Para mim, tudo aquilo foi estranho. Digo-te que gostei e nem sei por que raio me atrevo a dizer-te que gostei de tal coisa, mas de facto gostei, talvez por ser diferente, talvez por saber que, afinal estou à altura dos desafios do meu pai e que sou muito melhor do que ele pensa. Não sei! Mas sei bem do que sou capaz e agora sinto-me orgulhosa de mim própria. Assim que acabar esta viagem cansativa de regresso, assim que sair desta caixa que desliza numa espécie de corrimão terrestre, não hesitarei em mostrar-lhe as provas e os testemunhos da minha aventura. Tenho a certeza que o meu pai ficará de certa forma orgulhoso de mim e mudará a sua opinião. Então, ver-me-á finalmente como a sua filha adulta e culta. Uma mulher de dezoito anos que até gosta de música clássica, de morangos bem maduros a assomar por entre a orquestra.



Catarina Sabino; 12º C

Caos e Amor

Amadeo de Souza-Cardoso
A multiplicidade de cores, de padrões e de fragmentos de imagens deixa-me baralhada. Faz-me sentir dividida, faz-me prestar atenção e captar o mais ínfimo dos pormenores, estimulando a minha mente para a beleza desta perfeita confusão. Talvez sim, talvez não, que tenha sido por tudo isto, esta a tela, a que mais me marcou.
Amadeo Souza-Cardoso, sendo um pintor expressionista, pinta de acordo com as suas emoções e sensações, das quais, tenho a certeza, muitas delas representam alegria, expressas por todos os elementos ligados ao amor. Há alegria devido ao uso excessivo de cores fortes. Contudo, outras representam revolta, por este pintor ter sido um ser incompreendido, gerando, então, o abstracto e a confusão.
Ao observar esta obra deparei-me com o facto de ter de repartir o meu olhar e a minha atenção por todos os cantos do quadro, pois todos eles me transmitiam múltiplas sensações. Consegui até rever, nesta confusão, a confusão das emoções da minha vida; toda ela expressa neste conjunto de cores e formas. Vejo o amor, expresso nas flores ao centro da obra, o amor proibido, expresso pelas diferentes partes de um corpo feminino. A desordem, expressa nas inúmeras cores utilizadas. Vejo, agora, a mais forte de todas as mensagens: aquela que é transmitida pelos espelhos, a verdadeira introspecção; o olharmos para dentro de nós mesmos, até no meio do caos e da confusão.
Na junção de todos estes pequenos fragmentos, Amadeo de Souza-Cardoso, dá a cada um de nós a liberdade de absorver desta obra a interpretação que mais nos estimule. Sinto-me, assim, livre no caos e no amor!
Beatriz Lourenço; 12ºC

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

História em redor de um quadro


Certo dia, em pleno século XX, decidi passar uma tarde sentado num café e apenas observar. Na universidade, inscrevi-me na cadeira de História. Estava a estudar a arte e cultura e, por isso, segui o conselho do professor para que observássemos a nossa sociedade.
Sentei-me a um canto e observei. Numa mesa, uma mulher escrevia e escrevia sem parar e, o que despertou o bichinho curioso que há em mim. Contudo, resisti em perguntar-lhe o que escrevia e continuei a observá-la.
Ao lado, estava um casal, na casa dos 45, 50 anos; estes discutiam literatura e falavam de uma revista “Orpheu” que um homem um pouco mais atrás lia sem levantar os olhos do papel. Questionei-me sobre o que trataria essa revista de que já tinha ouvido falar, mas nunca a li. Fiquei curioso.
Ao lado direito desse homem, estava outro senhor, de bigode e bem arranjado. Este escrevia, tal como a mulher que estava à minha frente. Pensei, “mas que raios, todos escrevem e lêem neste sítio?!” Mantive-me no meu lugar e volvi o olhar para a mesa do lado. Aí, encontrava-se uma mulher que incontroladamente fitava o homem sentado à sua frente com a mulher. Estes trocavam olhares sem que a mulher se apercebesse. Fiquei em choque.
Ao fundo, via dois homens sentados a fumar e a discutir. Economia e literatura eram os assuntos daquela mesa, até que um deles, exaltado, diz alto: ”Oh, Fernando!” O café parou, todos olharam para eles que rapidamente se desculparam.
Atrás de uma coluna, uma mulher espreitava. Tentando perceber para onde ela olhava, reparei que estava de olhos fitados na mesa dos dois homens que há pouco discutiam. Seria amante, mulher, curiosa?
Enfim, conclui que aquele sítio era um pouco estranho. As conversas eram sobre o mesmo, o passatempo era para todos o mesmo...
Falei com o meu professor e quando lhe descrevi o sítio ele riu-se e disse-me:
- Pois, esse café é um género de ponto de encontro entre todos os que estão ligados à arte e à literatura. Muito provavelmente esse Fernando que ouviste chamar era o Fernando Pessoa! Talvez o Almada Negreiro estivesse com ele ou até mesmo a sua namorada, a Ofélia Queiroz, quem sabe?
Não quis acreditar. Estive tão perto de todos os artistas mais revolucionários e conhecidos da época e contive a minha curiosidade. Não quis acreditar!


Mariana Carvalho; 12ºD
Helena Almeida

No outro dia de que já nem recordo a data, estive presente numa visita de estudo a Lisboa. De tarde, fomos ao Museu de Arte Moderna e visto que tinha de escolher uma obra e dizer o que sinto ao vê-la, escolhi uma da Helena Almeida. Porquê? Tal como eu disse quando a nossa guia questionou o que é a arte? A arte, actualmente, é ser diferente…
A Helena é diferente, vê a arte onde ela “não existe”, porque arte é tudo aquilo que nós queiramos que seja transformado em arte, temos é de ser artistas e saber imaginar. Bem, que confusa! A verdade é que nem todos conseguimos tal proeza. Helena Almeida consegue-a. Ora vejamos: uma sequência de fotografias em que aparece, primeiro, uma tela, logo a seguir uma pessoa (a própria artista) até chegar à altura em que a pessoa ultrapassa a tela! Mas isso é possível? Isto é arte? A verdade é que nunca ninguém se lembrou de o fazer. Se calhar tinham receio que não fosse considerado arte. Mas, talvez seja este mesmo o motivo pelo qual o que aqui se observa é arte.
Agora pergunto a mim mesmo, afinal o que é a arte?
Quando discutíamos este assunto, ao ver este quadro, estive quase para deitar-me no chão e dizer: isto é arte! Porque nenhum de vocês é capaz de o fazer.
Somos todos uns artistas, apenas não acreditamos naquilo que somos capazes.
Este texto é arte porque no meio de tantas palavras, não digo nada e isso nem todos conseguem... Sou também um artista, um imaginativo…

Tiago Raposo; 12º D

O Vazio


Helena Almeida, Tela Habitada 1977

Estranho... À pergunta lançada pela guia “isto é...” respondemos “arte!”.
Dei por mim a pensar que arte é esta, em que a pintora faz um auto-retrato transportando uma tela em branco?
Várias são as hipóteses:
- Endoideceu...
- Considera o seu trabalho vazio...
- Está perdida...
- Reflecte sobre o seu trabalho...
- Não tem nada em que pensar, ou então pensa no nada.
O nome da tela “Tela Habitada” pouco acrescentava aos meus pensamentos, mas a informação complementar ajudou.
Esta tela, da década de 70, integra as séries “pinturas e desenhos habitados” nas quais, a artista revela uma profunda meditação sobre si e o seu trabalho, nas quais representa e utiliza o seu próprio corpo numa sequência de imagens em que simula romper a tela e, ainda que aparentemente consiga, percebe-se que o seu objectivo não é alcançado surgindo, esta tela, como recomeço de um ciclo infindável.
E, por vezes, sinto-me assim... como a Helena Almeida se auto-retrata na sua arte... numa tela em branco, ainda por me definir.

Joana Perfeito; 12ºD

Modernismo

Amadeo Souza-Cardoso

O Modernismo, à sua nascença foi muito criticado, não só na pintura, mas também na literatura e noutras artes. Somente com o passar do tempo é que as pessoas aceitaram e perceberam aquilo que realmente era transmitido através desses quadros futuristas da arte moderna, cheios de imagens abstractas e formas inexistentes nos antigos trabalhos artísticos.
As pessoas estavam habituadas a ver quadros que relatavam a realidade, aquilo que os olhos alcançavam, não aquilo que a nova arte relatava: sentimentos ocultos, confusão, desequilíbrio e outras sensações.
O Modernismo, como todos nós sabemos, é quase o oposto daquilo que a arte clássica era. Na pintura, desde do aparecimento da máquina fotográfica, os pintores deixaram de mostrar a realidade devido ao motivo de uma simples máquina o fazer na perfeição.
Por isso, os pintores do Modernismo, para além de pintarem aquilo que os olhos vêm, começaram a pintar “sentimentos sobre tela”, pintar aquilo que imaginavam, aquilo que sentiam e até aquilo que sonhavam.
Como podemos ver, no quadro que está na imagem, para as pessoas dessa altura era impossível perceber o sentido do quadro, e como é de esperar, criticavam e achavam-no um absurdo. Mas com o passar do tempo, as pessoas começaram a tentar perceber aquilo que realmente o pintor queria pintar ou talvez transmitir.
O quadro não relata nada que se possa ver no dia-a-dia, na rua ou no café, porque é muito mais que uma simples imagem ou fotografia; é preciso saber interpretar e intelectualizar aquilo que é visto.
Este quadro à primeira vista, não parece ser mais do que uma tela cheia de cor e sem regularidade nenhuma, “falta as leis da natureza”. Mas, ao procurar no quadro, podemos ver pedaços de “realidade” fragmentados e numa ordem irregular, que pode ser interpretada como o momento vivido pelo autor, ou talvez como aquilo que ele tinha na cabeça numa fase em que estava a tentar intelectualizar a o seu dia-a-dia, aquilo que era a sua vida.
A interpretação varia de pessoa para pessoa, por isso, é muito difícil entender aquilo que realmente o pintor sentia e queria transmitir. Mas a arte é mesmo assim. Um desafio!

Catalin Vasile Cicau

Solidão


Amadeu de Souza-Cardoso
Este quadro, para mim, retrata um dos problemas que muitas pessoas, tanto em Portugal, como em todo o mundo têm vindo a enfrentar: a solidão em comum, indiferença, marginalidade! As imagens suscitam, em mim, sentimentos de tristeza, pena e revolta, uma vez que, como é sabido, existem muitos, neste país, que vivem na pobreza e nada podem fazer para sair dela. Estão na vida sem nada nem ninguém. Ao olhar este quando, o que me entristece é o não poder fazer nada para ajudar certas pessoas que de tanto precisam; ver que ninguém se esforça para diminuir este tipo de casos espalhados por todo o mundo, o que é realmente frustrante. Assim, foi a solidão a primeira palavra que me ocorreu, porque nota-se um vazio neste quadro, pelas cores que este apresenta e pela “situação” vivenciada por cada pessoa aqui esboçada: homens bêbados, tristes, solitários, abandonados, viciados, submissos, degradados.


Diogo Dias; 12º C

Confusão 2

Amadeo Souza-Cardoso
Amadeu de Souza-Cardoso é um pintor expressionista. Neste quadro, ele pretende transmitir as mais variadíssimas sensações a todos aqueles que quiserem apreciar a sua arte.
Sem dúvida alguma que este quadro é abstracto, no entanto e se observarmos com atenção podemos encontrar determinados objectos que nos suscitam curiosidade e que nos fazem interrogar por que razão é que estão ali, uma vez que têm origem completamente diferente. Porém, na minha opinião, a carta do naipe de paus e parte do corpo de uma mulher, nomeadamente os seios, a perna e a nádega direita, pretendem transmitir a ideia da prática de actividades ilícitas naquela época (1917), tais como o jogo e a prostituição.
As flores que estão pintadas ao centro do quadro, especialmente as rosas, são o símbolo do amor, da paixão, contrastando, assim com os restantes elementos já mencionados. O gafanhoto e a borboleta, discretamente pintados neste quadro, simbolizam a presença da natureza, juntamente com as flores. No canto superior direito, encontra-se parte de uma janela, dando-nos a sensação de que é possível ver o que está dentro do quadro. No entanto, no canto superior esquerdo, o pintor recorreu à expressão plástica, colando pedaços de espelho na própria tela. Através destes, podemos ver a nossa imagem, transmitindo-nos a ideia de que estamos dentro do quadro, no meio da confusão.
Assim, podemos concluir que os objectos que se encontram neste quadro têm um significado próprio, por mais obscenos que nos pareçam à primeira visita. A junção de diversos elementos de natureza diferente pode resultar numa desordem, mas o pintor Amadeu de Souza-Cardoso não os pintou por acaso. Deste modo, deixou que cada “leitor” retirasse da sua obra de arte a interpretação que bem entendesse.

Patrícia Pereira; 12ºC

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Buraco da Fechadura

Amadeo de Souza-Cardoso, Trou de la Serrure

O título do quadro é “Trou de la Serrure”, que significa “o buraco da fechadura”, fechadura essa que fechará a porta que nos leva até ao nosso intelecto. Ao espreitar pelo orifício, é possível ver uma explosão de ideias, conceitos, formas ou cores que constituem o nosso imaginário. O quadro expressa isso mesmo, o que está dentro e o que constitui a nossa mente.
É possível identificar certos elementos que pairam sob as linhas e as cores, como o jarro onde descansa uma rosa encarnada, o morango sobre fundo branco ou a quarta de água. No centro, encontramos uma figura que se destaca. Um instrumento musical que emite uma melodia tanto suave como agreste que é símbolo máximo da música: o violino. Uma das suas metades funde-se com os outros elementos da tela, desvanecendo-se em cores claras.
A música é uma forma de arte valiosa e que tem importante destaque na construção do ser humano. A música faz-nos pensar, faz-nos sonhar, faz-nos sorrir, faz-nos sentir. O brotar dos nossos sentimentos é desencadeado, sobretudo, pelas melodias que entram nos nossos ouvidos e que nos percorrem as veias sanguíneas, tal como o ar que respiramos. Assim, sugere este quadro.

Beatriz Madeira, 12ºC

Monet: Impressão Sol Nascente, 1872

O quadro pintado por Monet é tudo menos nítido: as figuras estão distorcidas, as formas baralham-se. Parece não haver uma linha que separe o real do imaginário. Pela incerteza no traçado, alguns afirmarão, então, que esta obra nada nos pode dizer sobre o que estava perante os olhos do nosso pintor.
Mas será que uma obra de arte, seja ela qual for, tem de nos revelar uma figura ou uma imagem real? A resposta que encontro quando olho para o quadro é um gigantesco não. Esta obra não nos apresenta quaisquer figuras ou imagens, definidas claramente, mas apela à minha imaginação: faz-me tentar visualizar o que estava na imaginação do poeta, leva-me a reflectir sobre o poder da cor, conduz-me a que me deixe levar pelo traçado do pintor.
A tranquilidade impressa no quadro é, para mim, indescritível; quando olho para este quadro, sinto-me numa esplanada virada para o mar em Veneza… ou será em Amesterdão? O importante não é o local, mas sim o sentimento. Quererá, quem me lê, juntar-se a mim? Ou será que a imagem criada na sua cabeça quando observa e, de seguida, fecha os olhos, não tem nada a ver com o que descrevi?
Na minha opinião, é nesta incerteza que reside a definição de arte; ninguém mais pode, para além do próprio artista, expor, numa simples tela, que seria branca antes de ser pintada, aquilo que o seu interior lhe transmite. Um momento de inspiração, um momento de descontracção… O facto é que Monet produziu algo maravilhoso, algo a admirar por todos.
Ser artista é para quem pode, é um dom. Se vem da mãe ou do pai? Se do Pai Divino ou da Mãe Natureza? A isso não sei responder, mas decerto que venha de onde vier, um quadro como este suscitou hoje uma reflexão, e de outras mais será merecedor certamente!

Francisco Almeida; 12º C

Quem?

Lourdes Castro 1930
Sombra Projectada de Christa Maar, 1968



Quem é quem? Não sei se é homem ou mulher, mas pela cor, faz lembrar o feminino. Não sei se tem cabelo comprido ou curto. Se é criança ou idosa. Não sei se gosta de música e de filmes. Ou se prefere jogar às cartas ou ao dominó. Apenas conheço os traços que delineiam o seu rosto, e parte do seu corpo. É o amor quem os reconhece! Quando é verdadeiro, não precisamos de ver a outra pessoa.Conhecemos os traços até ao mais ínfimo pormenor. É como se fosse um amor cego, onde não existem expressões.É uma perda de identidade, para com o outro! Talvez seja um retrato de alguém que pousa para o marido, a quem não, lhe interessasse as suas características físicas, apenas aquilo que existe até às linhas que delimitam a sua presença e, por isso, apenas mostrou que aquela pessoa estava ali, que existe. Ou talvez não. Pode ser meramente uma personagem que invadiu a mente do autor e que não lhe mostrasse realmente quem era. Pode ser uma personagem de um conto de fadas, um mero desconhecido ou, simplesmente, o esboço da perfeição, sem identidade. Tal como no quadro, o amor reconhece cada traço, que demonstra a presença da outra metade. Esteja esta longe ou perto, esses traços são processados no coração e reflectidos no cérebro, nunca deixando de o ser.


Patrícia Santos; 12º C
Composição surrealista, Cândido Costa Pinto, 1962

Este quadro captou, de imediato, a minha atenção. Ao início, não entendi bem porquê. Olhando com mais atenção, lembrou-me o mar, as algas, os corais… Dá-me a ideia de movimento, de vivacidade.
Mar, para mim, significa calma e, ao mesmo tempo, liberdade. Há dias em que está calmo, sem ondas, é dominado por um silêncio tão imenso como a sua extensão. Depois, há outros dias em que está violento, em que corre livre e as ondas marcam o ritmo da vida e o passar do tempo. Tal como o mar, também nós temos dias calmos e dias agitados, dias alegres e dias tristes. Isto é o que me sugerem as cores desta obra de arte; as mais claras lembram-me a leveza e a felicidade dos dias bons, as mais escuras lembram-me a tristeza, o peso e a carga negativa dos dias maus.
Como disse, mar é para mim sinónimo de liberdade. Mas sempre que buscamos a liberdade, existem barreiras e prisões que, de algum modo, nos são impostas. Nesta imagem, observo o que me parece ser um pedaço de rede e é essa rede que representa, na minha opinião, as privações a que estamos sujeitos (ou a que nos tentam sujeitar!) ao longo de toda a nossa vida.
A chave está em desfazer essas redes, fio a fio, até conseguirmos ser livres e ter o nosso próprio ritmo, sermos o nosso próprio mar.


Ana Lúcia Sobral; 12ºC

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Confusão

La bibliothèque en feu [A biblioteca em fogo], 1974
Maria Helena Vieira da Silva


Qual é a primeira ideia que me vem à cabeça quando me dizem para pensar na minha vida? Uma verdadeira confusão. É esta mesma ideia de caos total que me surge na mente quando olho para este quadro.
No entanto, se olharmos com atenção, os elementos do quadro começam a fazer sentido e é como se as peças se encaixassem: começamos a ver livros, prateleiras e rapidamente nos apercebemos de que se trata de uma estante “recheada” de livros. Tal como nas nossas vidas, esta estante está organizada por temas. Os romances estão do lado esquerdo, perto do coração, os contos e histórias de encantar ocupam a parte de cima da estante, na área do cérebro e os livros que tratam de histórias heróicas de outros tempos vão-se encaixando nos lugares restantes.
A meu ver, esta estante é uma metáfora da pessoa: a parte de cima, onde estão os contos, é o cérebro, associado à imaginação; o centro, representa o coração, lugar dos sentimentos e dos livros de romance; e, por fim, as filas de fora da estante simbolizam os nossos membros, partes do corpo humano sempre evidenciadas nos heróis principais nos relatos heróicos.
Tanto a estante acima representada, como as nossas vidas, aparentam ser repletas de confusões e mal-entendidos mas, ao escavarmos mais fundo, compreendemos que afinal está tudo no seu devido sítio, o sítio onde as guardamos. Pode parecer confuso para os outros, mas conseguimos encontrarmo-nos na nossa própria confusão.

Ana Laura, 12ºC, nº2

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Natal é Consumismo!

O Natal está prestes a chegar e com este vem o consumismo desenfreado!. Este ano, muitos europeus estão mentalizados de que se está em tempos de crise e , por isso, decidiu-se que há que fazer cortes nas despesas, no consumismo Comprar menos para os adultos e prioridade às crianças.
As crianças são, sem dúvida, os que mais se emocionam e fascinam com o Natal, pois ainda acreditam no Pai Natal e não nos cartões de crédito dos pais. Por isso, há que deixá-las acreditar em tudo isso por mais anos e continuar a proporcionar-lhes um Natal igual ou melhor em relação ao ano anterior, sem deixar que estas se apercebam da grave crise económica. Portanto, amigos e colegas de trabalho, não recebem presente este ano e os familiares mais próximos apenas receberão uma lembrança. Devemos guardar mais dinheiro para as crianças, mas não os podemos deixar ter tudo. Tem que haver um controlo por parte dos pais para que as crianças não fiquem mal habituadas e queiram tudo o que aparece à venda.
Cerca de 63% dos portugueses vão reduzir o orçamento em presentes de Natal. O resto continua no auge do consumismo, fazendo com que telemóveis, leitores de música e máquinas fotográficas esgotem. Mesmo que tal implique ficar sem vestígios do subsídio de Natal. Todos estes consumistas, compram os filhos para se calarem um bocado que seja, e, assim terem um Natal descansado.
As famílias com menos rendimentos têm mais amor, pois como não há muito dinheiro, resta-lhes apenas dar uma lembrança muito pequena, um abraço cheio de amor. Este, não há dinheiro que o compre. É bom e é gratuito.
Por isso, este Natal, há que reduzir o consumismo e pensar mais no amor e, principalmente, nos que nada têm que, podem não ter nada para comer.
O Natal é todo o ano. Há muito amor para dar e, deste modo, seremos todos bem mais felizes!


Manuel Mascarenhas ; 12ºD

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Campo avesso de Cidade

Viver na cidade é bom... Lá, temos tudo quanto precisamos: hospitais, ministérios e todos os tipos de serviços públicos.Temos uns maiores escolham a nível de escolas, Universidades e até melhores oportunidades de emprego. De igual modo, existe a parte cultural e de lazer: museus, exposições, teatros, bibliotecas, cinemas e os famosos centros comerciais, as "mini-cidades" dentro das próprias cidades. No entanto, isso não é tudo, pois falta algo muito importante: a natureza! Embora as cidades tenham espaços verdes, lindos e cuidados, não é a mesma coisa: falta-lhes o ar puro e leve, o chilrear dos pássaros, que, como quem respira liberdade, voam livremente sem se assustarem com os ruídos dos automóveis.
A vida no campo é mais pacata, mais calma... a vida é mais vida! Apesar de não existirem todas as facilidades que podemos encontrar numa cidade, certamente as pessoas, que vivem no campo, são mais felizes: conhecem quem vive perto e levam a vida num sorriso, respiram ar puro, têm o privilégio de estar em contacto com a Natureza. Contudo, muitas pessoas preferem a agitação das grandes cidades. Preferem não conhecerem ninguém. Preferem poderem ir a todo o lado e terem tudo por perto.
Porém, com o passar dos anos, a maioria das pessoas tende a isolar-se como é o caso das pessoas idosas. Vivem em apartamentos minúsculos, sem quaisquer condições e, não obstante o facto de terem filhos, vivem numa solidão profunda, sem ter quem se preocupe com eles, porque, nas cidades, ninguém tem tempo... Ou faz para não ter!
As pessoas que vivem no campo, embora estejam sós, têm sempre alguém conhecido que tenta saber como estão só pelo simples facto de não terem visto este vizinho ou o outro, num determinado local e que era habitual na sua rotina diária.
Chegada a idade da reforma e depois de muitos anos longe das suas vilas e aldeias, com a sensação de missão cumprida, muitas pessoas regressam ao campo para aí viver calmamente os anos que lhes restam. Outros porém, decidem ficar pelas cidades porque nada os liga aos lugares de onde vieram: já não têm as suas raízes, nem a casa de família, outros nem sequer recordações.
As cidades são como mundos com coisas novas para serem descobertas, a cada dia que passa, com oportunidades que surgem, e com modernices.
Há quem prefira acordar com o burburinho incessante de uma cidade cheia de novidades, do que passar uma noite calma e tranquila, ouvindo o silêncio e acordando sob o calmo cântico dos pássaros, na sua azáfama incessante, eles também agarrados ao progresso e à modificação dos seus ninhos, tentando adaptar-se às novidades que, aos poucos, chegam ao campo. Viver no campo é algo sempre renovador! Vale a pena acreditar ainda e só na Natureza!
Maria Granado; 12º D

Adeus

Um beijinho, muitas recomendações e aquele abraço do amor maior que existe entre pais e filhos.
Aquele dia, deixou-lhe uma sensação de estar a perder algo e pensou: " Ele volta brevemente ".
Tentou convencer-se sem nunca esperar verdadeiramente que a ausência durasse... Até hoje!
Mas a falta daquele abraço e daquele carinho, da cumplicidade que sempre existira, provocara-lhe uma dor no peito, a sensação de que estava " incompleta ".
E ele não se preocupou! Era, vítima, coitado, da verdade pouco sincera em que transformara a sua vida! AHHH! Lá tinha tempo para ela!
Sendo bastante jovem e apercebendo-se da triste realidade, conseguiu ser serena e crescida o suficiente (porque ele a obrigara) para ser capaz de entender uma vida que desconhecia, um pai que julgava ser outro tipo de pessoa. Assim sendo, a revolta vive com ela... pela falta de sinceridade, pela falta de verdade mas, principalmente, pela falta de amor...
Assim, com toda esta mágoa, ela será forte o suficiente para lhe mostrar que, apesar dos erros, das mentiras e da ausência, continuará a amá-lo... Embora não da mesma forma... Só da mesma maneira!
Maria Granado; 12º D

Tranquilidades


A vida no campo proporciona-nos inúmeros benefícios, tal como a total liberdade, a pureza e a serenidade, sensações das quais não podemos usufruir na cidade.
O silêncio, o canto dos passarinhos e o cheiro intenso das plantas, confere, ao campo, um bem-estar pleno, o qual podemos viver com toda a tranquilidade e liberdade que absorvemos ao sentirmos a natureza.
Contrariamente a cidade apenas nos proporciona níveis altíssimos de poluição, fumo, barulho e lixo, que certamente não são favoráveis ao nosso bem-estar. Também a intensa e excessiva população não é propícia ao nosso descanso e total relaxamento.
Por tudo isto, prefiro sem a mínima dúvida, a vida no campo, onde em cada manhã me sinto renovada e numa completa felicidade e harmonia com a natureza.
Deste modo, a natureza dá-nos mais anos de vida, devido a toda a sua pureza. O que pudemos querer mais?

Beatriz Lourenço; 12º C

Preferências


Diga-se o que se disser, hei-de preferir sempre a pureza do ar à altura dos prédios. A riqueza da paisagem está nos olhos de cada um, e a meu ver o campo é muito mais belo do que a cidade.
Na verdade, à medida que o tempo passa, a concentração de população nas cidades, sobretudo nas grandes cidades, tende a aumentar. Ou porque a oferta de emprego é maior nas cidades, ou porque a diversidade na oferta cultural é mais rica nestas, parece que já ninguém valoriza os aspectos positivos da vida no campo.
O meio rural oferece-nos um ar mais puro, mais rico em oxigénio, mais saudável do que qualquer outro meio; a sinfonia de sons que a Natureza nos proporciona é relaxante, ao contrário do que se passa nas cidades, onde o som é apenas ruído e o stress descontrola a vida dos cosmopolitas.
Por tudo isto, há que aprender a desfrutar da pureza da Natureza, em detrimento da riqueza que a vida citadina nos pode oferecer, pois a saúde é um dos valores que mais se deve preservar.

Francisco Almeida; 12º C

Somos Arte!

Com o passar dos anos, vamo-nos formando e crescendo como pessoas e seres humanos. O resultado “nós” é influenciado pelos mais diversos aspectos: pelos amigos, pela família, pelo que vemos e ouvimos, pelo que vivemos…
Uma das influências que podemos referir é a arte. Quer seja a literatura, quer seja o cinema ou a música, a verdade é que, de toda a arte com que estamos em contacto, retiramos algo. Na minha opinião, de tudo o que consta dessa área é possível retirar alguma aprendizagem, uma lição ou apenas uma maneira de exprimir uma emoção ou sentimento. Foram várias as vezes que um filme me pôr a pensar sobre coisas que nunca me tinham ocorrido ou que me alertou para determinada situação.
Acho que uma parte importante de nós é aquilo que tiramos de quem e do que nos rodeia. Acho engraçado como até há pouco tempo atrás nunca tinha realmente percebido a forma subtil como as histórias infantis e os contos de fadas incutem, nas crianças, os valores mais essenciais. A amizade, a solidariedade, a generosidade, o amor… Tudo isto é retratado nas histórias que, tantas vezes, pedimos à mãe ou ao pai para ler uma e outra vez.
A nossa construção começa logo que nascemos e vamos observando tudo. A arte é uma das vertentes, talvez das mais importantes. Somos constantemente confrontados com novas ideias e novas realidades. Em todos nós, uma parte é arte.


Ana Lúcia Sobral; 12º C

domingo, 14 de novembro de 2010

Socialização em risco?

Com o desenvolvimento da tecnologia, o Homem passou a “ter o mundo nas mãos”. Pouco é aquilo que não se pode fazer sem sair de casa. Desde micro-ondas a televisores com alta-definição de imagem, imensas foram as invenções com finalidade de trazer mais conforto aos nossos lares. Daí, a vontade de querer continuar a investir no seu enriquecimento.
Mas com todo o investimento na propriedade privada, muitas vezes passa-nos ao lado o mau estado em que se encontram imensos espaços públicos, também merecedores de atenção.
Em Vila Nova de Santo André, existe um parque enorme e, na minha opinião, lindo, o Parque Central. Este espaço, se bem explorado, poder-se-ia tornar num dos locais mais agradáveis da cidade, propício à socializacão, algo que, até agora não aconteceu.
Na mesma cidade, existia há una anos uma piscina pública, frequentada por jovens, crianças e adultos. Acontece que, esta piscina encerrou, por motivos que desconheço, e ainda hoje assim permanece, apesar de continuar a existir. Resultado, nos dias quantes de Verão a população não tem outro remédio senão deslocar-se à praia, que fica a alguns quilómetros de distância da localidade.
Na minha opinião, não se aposta, hoje em dia, no melhoramento dos espaços públicos pois, com os luxos que possuem nas suas habitações, as pessoas já não se juntam num determinado local a conviver como há alguns anos atrás, o que, penso eu, é errado, pois seria uma forma de promover a socialização.

Margarida Andrade; 12º C

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O que é o Jazz?

O que é o jazz? Trata-se de uma pergunta provocante. Na minha opinião, o jazz não tem apenas um caráter musical. Além disso, ele representa uma conceção musical / artística. Podemos afirmar que o jazz não é apenas o que se manufatura, mas principalmente como se manufatura. Um aspeto que conta muito é a atitude do jazzista à frente do risco e do incerto. Não existe um limite, não existe um formato imposto com regras, talvez apenas sugerido. E o artista tem o direito (e até o dever) de propor novas soluções, novas direções. Mas o jazz também requer do artista uma ação criativa. O que destaca o grande jazzman dos demais não é sua técnica, não é a sua forma, mas sim a continência das suas ideias. É a maneira com que ele imprime a sua identidade nos ritmos. Muitas vezes com elegância, com subtileza, com vigor, impacto, enfim: o conceito jazzístico permite que o artista crie, exponha a sua personalidade na música que está a conceber. É a expressão do estado de espírito do artista.

Sara Silva; 12ºD

Que segredos?

No nosso quotidiano, existem situações merecedoras da nossa especial atenção, como é o caso dos media. Na televisão, estes, fazem todo o tipo de programas de acordo com o público e o número de audiências, mas existe um novo que me chama particularmente à atenção: “A casa dos segredos”.
Em primeiro lugar, é tudo uma grande palhaçada. Para além disso, terem criado um canal 24 horas do programa, deixa-me espantada.
Em segundo lugar, é transmitido várias vezes ao longo do dia e como já assisti, na casa, tudo acontece desde tabaco, a palavrões, a assuntos falados pelos participantes sem qualquer tipo de interesse ou benefício para a população em geral. Pelo contrário, o programa é deplorável e escandaloso e qualquer criança pode sem querer ver algo impróprio para a sua idade.
Por último, qual é a necessidade de espalhar supostos segredos?!
De tal modo que, a imaginação, ou falta desta dos media, deixa-me sem palavras para mais.

Mariana Charrua ; 12ºD