
A casa da minha avó é num monte, um pouco afastado do Cercal, bem perto de um pinhal. De todos os dias que passei atrás da minha avó, pois eu não a largava por um bocadinho, guardo uma memória, de entre muitas outras, que nunca vou esquecer: os passeios que eu dava com a minha avó pelo pinhal. Era tão bom sentir o cheiro daquele sítio… Seguia sempre atrás dos passos que ela dava e ia sempre muito atenta a tudo e quando, por curiosidade, tentava arrancar qualquer coisa que me picava, corria para mais perto dela e agarrava a sua mão como se ela fosse a minha protetora. E era!
Nesse pinhal, os pinheiros eram altos, as outras árvores tinham os caules cobertos de eras e o chão estava quase todo atapetado de fetos e de outras plantas que variavam consoante a altura do ano e que só não tapavam o caminho por onde nós andávamos. Era quase como se entrássemos noutro mundo. Perto do Natal, crescia uma planta, muito parecida com o azevinho, que a minha avó apanhava sempre para colocar numa jarra. Ainda hoje não sei ao certo o verdadeiro nome dessa planta, mas que a minha avó chamava-a de “gilbarbeiro”. Por esta altura, era também tempo de escolhermos o pinheiro mais bonito e perfeito para fazer a árvore de Natal.
Noutras alturas do ano, havia sempre uma flor ou uma planta que fosse bonita e que cheirasse bem para colher e levar para casa ou, então deliciávamo-nos apenas com os medronhos que eu adorava comer e que, por isso, a minha avó se dedicava a apanhar e a escolher os mais madurinhos e doces
Foram horas e tardes que decorreram sem que eu desse pelo tempo passar. Hoje guardo esses momentos na minha memória e revejo-os sempre que posso, pois sei que, com muita pena minha, esses tempos não vão mais voltar.
Agora, embora vá menos para a casa da minha avó, quando vou com mais tempo, tento sempre convencê-la a irmos ao pinhal.
Já nada acontece como naqueles tempos, eu cresci, tudo está diferente e a magia daquele lugar foi-se perdendo, ficando apenas as lembranças e as histórias, que a minha avó, ao longo do passeio, me vai contando, de quando eu era pequenina. Outras vezes, conta-me também histórias de tempos muito mais antigos, quando ela tinha a minha idade, que eu escuto com imenso prazer e de sorriso no rosto.
Daniela Silva; 10ºB; nº11
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